Foto: Evyleen Freitas
Investigação
Operação em Duque de Caxias expõe esquema de venda forçada de farinha por facção; autoridades apontam que crime organizado amplia fontes de receita além das drogas
Uma operação da Polícia Civil do Rio de Janeiro, em conjunto com a Frente Parlamentar de Retomada de Território da Alerj, desarticulou nesta terça-feira (31) um depósito de farinha de trigo ligado ao Terceiro Comando Puro (TCP), na comunidade do Pantanal, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. Mais de 50 sacos de 25 kg foram apreendidos. O material era controlado pelo traficante conhecido como Flamengo, que está foragido.
Segundo as investigações, comerciantes da região — incluindo padeiros — eram obrigados a comprar a farinha fornecida pela facção por preços acima do mercado, o que impactava diretamente o consumidor final e encarecia produtos básicos como o pão. O caso foi registrado na 60ª DP, e os agentes identificaram ainda uma possível rota de fuga no imóvel.
Exclusivo: Secretário do RJ expõe novo esquema de lucro do tráfico
O esquema reforça a mudança no modelo de atuação do crime organizado. Em entrevista ao MyNews, o secretário de Segurança Pública do Rio, Victor dos Santos, afirmou que o tráfico deixou de depender apenas das drogas e passou a explorar serviços e produtos dentro das comunidades. “Hoje o traficante faz a mesma coisa que a milícia: explora serviços como internet, gás, transporte e até pão”, disse.
Segundo ele, essas atividades ampliam o faturamento das facções e tornam o domínio territorial ainda mais estratégico. O secretário destacou que a receita gerada por serviços e extorsões já supera a do tráfico de drogas, o que exige uma mudança na forma de combate ao crime.
A apreensão em Duque de Caxias ilustra como essas práticas já afetam o cotidiano da população, indo além da violência direta e impactando o custo de vida. A suspeita é de que existam outros depósitos semelhantes na Baixada Fluminense, o que mantém o alerta das autoridades para a expansão desse tipo de esquema.