25 anos do 11 de setembro: o que está no lugar das Torres Gêmeas? 25 anos do 11 de setembro: o que está no lugar das Torres Gêmeas? (Foto: Foto de Lucas Franco na Unsplash) Dia na história

25 anos do 11 de setembro: o que está no lugar das Torres Gêmeas?

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Legado do atentado de11 de setembro também transformou a arquitetura e a ocupação do complexo em Nova York

Vinte e cinco anos após os atentados de 11 de setembro de 2001, as consequências do ataque ao World Trade Center continuam presentes para milhares de pessoas expostas à nuvem tóxica formada pelo colapso das Torres Gêmeas, além das mudanças no horizonte visual de Nova York. Dados do World Trade Center Health Program apontam 57.044 certificações de câncer associadas à exposição decorrente do atentado até 30 de junho de 2026, número aproximadamente 19 vezes superior ao total de vítimas fatais registradas naquele dia.

O boletim, divulgado em agosto deste ano, mostra ainda um crescimento relevante em relação a junho de 2025, quando eram contabilizadas cerca de 48,5 mil certificações. A exposição não atingiu apenas quem estava dentro das torres. Bombeiros, policiais, voluntários, trabalhadores e moradores do entorno também respiraram a nuvem formada por cimento pulverizado, asbestos, fumaça e combustível queimado após o desabamento dos edifícios.

A dimensão sanitária se tornou, paulatinamente, parte do legado de um ataque que matou 2.977 vítimas e alterou a política de segurança dos Estados Unidos, a paisagem urbana de Manhattan e a própria concepção arquitetônica do complexo onde estavam as Torres Gêmeas.

O ataque que atravessou o mundo ao vivo

Na manhã de 11 de setembro de 2001, quatro aviões comerciais foram sequestrados nos Estados Unidos. Duas aeronaves atingiram as torres do World Trade Center, em Nova York. A segunda colisão ocorreu quando emissoras de televisão já transmitiam as imagens do primeiro ataque, fazendo com que parte da ofensiva fosse acompanhada praticamente em tempo real ao redor do mundo.

Outro avião atingiu o Pentágono, sede do Departamento de Defesa dos Estados Unidos. A quarta aeronave caiu na Pensilvânia antes de alcançar seu destino.

As duas torres do complexo em Nova York desabaram após os impactos e os incêndios subsequentes. Além da destruição imediata, o colapso lançou sobre a região uma quantidade extensa de partículas e substâncias químicas que permaneceriam como uma consequência menos visível do atentado nas décadas seguintes.

A dimensão desse efeito aparece nos dados de saúde reunidos 25 anos depois. O contingente acompanhado inclui pessoas que atuaram diretamente nos resgates e na remoção dos escombros, além de moradores e trabalhadores que estavam nas proximidades do World Trade Center.

Um novo edifício sobre um espaço marcado pela ausência

O local onde estavam as Torres Gêmeas passou por uma ampla reconstrução. Atualmente, o complexo combina prédios comerciais, áreas públicas e o Memorial e Museu Nacional do 11 de Setembro, construído sobre uma área cujo significado extrapola sua função imobiliária.

No centro da nova paisagem está o One World Trade Center, concluído em 2014. O edifício foi projetado pelo escritório Skidmore, Owings & Merrill, a SOM, sob liderança do arquiteto David Childs, após mudanças substanciais no projeto inicialmente concebido para a reconstrução da área. Daniel Libeskind havia elaborado o plano diretor do novo complexo e estabelecido um dos elementos simbólicos que permaneceram no projeto: a torre alcançaria 1.776 pés, ou aproximadamente 541 metros, em referência ao ano da Declaração de Independência dos Estados Unidos.

O desenho foi posteriormente reformulado diante de exigências de segurança e da preocupação das autoridades com a proximidade da construção em relação à West Street. A solução final produziu um edifício cuja geometria se modifica conforme a altura. A torre parte de uma base quadrada, semelhante aos prédios anteriores, e, por meio de cantos chanfrados, assume novas faces ao longo da elevação até terminar em um quadrado rotacionado em relação à base.

O resultado cria um efeito visual distinto de acordo com o ponto de observação. A fachada, formada por milhares de painéis de vidro de alta transparência, também modifica a percepção do prédio conforme a incidência de luz e as condições do céu de Manhattan.

Segurança redefiniu o projeto

O redesenho do One World Trade Center incorporou uma preocupação estrutural que se tornou inextricável da história do edifício: a segurança. Em 2005, o projeto foi revisto após questionamentos levantados pelo Departamento de Polícia de Nova York. Entre as mudanças esteve o afastamento da torre em relação à West Street e a adoção de uma base reforçada. Os primeiros 56 metros do edifício utilizam uma estrutura robusta de concreto, enquanto o núcleo central concentra elementos essenciais de circulação e segurança, como escadas de emergência, elevadores e instalações técnicas.

As janelas também foram concebidas com mecanismos adicionais de resistência. O projeto passou a combinar aço e concreto de alta resistência, além de sistemas de proteção contra incêndio. O prédio chegou a receber certificação LEED Gold e incorporou soluções ligadas ao aproveitamento de água, à iluminação natural e à utilização de materiais reciclados.

Onde estavam as torres, dois vazios

Enquanto o One World Trade Center reorganizou verticalmente a paisagem de Manhattan, o memorial adotou uma concepção oposta. No espaço ocupado pelas duas torres originais, o projeto de Michael Arad e Peter Walker preservou dois grandes vazios.

Foram construídos espelhos d’água em cascata exatamente sobre as áreas onde estavam as fundações das Torres Gêmeas. Os nomes das vítimas dos atentados de 2001 e também daqueles mortos no ataque ao World Trade Center de 1993 foram incorporados ao memorial.

A reconstrução também continuou nos demais terrenos do complexo. Em 2023, o Estado de Nova York aprovou um projeto para o 5 World Trade Center, previsto como empreendimento de uso misto, com aproximadamente 1.200 unidades habitacionais. Um terço delas foi projetado como moradia permanentemente acessível, com parte destinada a nova-iorquinos afetados pelo 11 de Setembro.

A superfície de Manhattan foi reconstruída e voltou a concentrar escritórios, moradias, circulação pública e grandes estruturas arquitetônicas. Entre sobreviventes, socorristas e moradores expostos às partículas lançadas pelo desabamento, porém, os 57.044 registros de câncer certificados até junho de 2026.

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