Foto: Correio Braziliense
Representação no Conselho de Ética cita suposto desvio de recursos, aporte pessoal à produtora de Dark Horse e outras possíveis irregularidades
A Federação PSol-Rede protocolou uma representação contra o deputado federal Mario Frias (PL-SP) por suposta quebra de decoro parlamentar. O grupo pede a abertura de processo no Conselho de Ética da Câmara dos Deputados e, ao fim da apuração, a cassação do mandato do parlamentar.
A iniciativa ocorre após a Operação Make Up, da Polícia Federal, investigar suspeitas de desvio de recursos de emendas parlamentares para financiar o filme Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo a representação, Frias destinou R$ 2 milhões em emendas ao Instituto Conhecer Brasil (ICB), entidade apontada como vinculada à produtora do longa, no qual o deputado atua como roteirista e produtor-executivo.
O documento também afirma que Frias transferiu R$ 645,4 mil de recursos próprios para a produtora em menos de 60 dias. A federação considera o montante incompatível com os rendimentos mensais declarados pelo parlamentar, de aproximadamente R$ 44 mil. A representação menciona ainda uma suposta triangulação de recursos envolvendo uma empresa ligada a uma das principais doadoras da campanha de Frias em 2022.
Além das suspeitas relacionadas ao filme, o PSol-Rede cita uma viagem ao exterior que teria sido realizada sem autorização da Câmara e a apreensão de sete armas de fogo, incluindo um fuzil, em endereço diferente do informado às autoridades. A federação afirma que eventual processo disciplinar não depende de uma condenação criminal, pois o Conselho de Ética deve avaliar a conduta sob a ótica do decoro parlamentar, e pede acesso aos documentos da investigação conduzida pelo STF e pela PF.