PF investiga possível desvio de R$ 750 mil para produtora de Dark Horse Foto: O Globo

PF investiga possível desvio de R$ 750 mil para produtora de Dark Horse

Investigação aponta possível uso indireto de recursos de emendas parlamentares na produção do filme sobre Jair Bolsonaro; operação foi autorizada por Flávio Dino, do STF

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  • Polícia Federal investigou possível desvio de R$ 750 mil para a produtora Go Up Entertainment, responsável pelo filme “Dark Horse”, na operação deflagrada nesta quinta‑feira (10).
  • A suspeita recai sobre recursos de emendas parlamentares destinadas pelo deputado Mario Frias (PL‑SP).
  • A Operação Make Up, autorizada pelo ministro do STF Flávio Dino, tem como base movimentações do Instituto Conhecer Brasil, presidido por Karina Gama, dona da Go Up.
  • Foram identificadas transferências de R$ 700 mil (fev‑mar) e R$ 750 mil (nov‑dez) a empresas ligadas ao instituto, além de gastos da produtora com hotel (R$ 906,7 mil) e alimentação (R$ 653 mil) durante as filmagens.

A Polícia Federal suspeita que R$ 750 mil repassados à produtora Go Up Entertainment, responsável pelo filme Dark Horse, tenham origem em recursos públicos provenientes de emendas parlamentares destinadas pelo deputado Mário Frias (PL-SP). A investigação também busca esclarecer se houve utilização de verba pública diretamente na produção do longa sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, segundo Folha de São Paulo.

A apuração levou à Operação Make Up, deflagrada nesta quinta-feira (10) com autorização do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal. Segundo a PF, a investigação teve como base movimentações financeiras do Instituto Conhecer Brasil, presidido por Karina Gama, que também é dona da Go Up Entertainment. Entre fevereiro e março de 2025, empresas ligadas a um fornecedor da entidade receberam R$ 700 mil. Meses depois, entre novembro e dezembro, outra empresa do mesmo grupo repassou R$ 750 mil à produtora.

A PF ressalta que ainda não é possível afirmar que os R$ 750 mil tenham origem direta nos valores recebidos pelo instituto, mas aponta coincidências entre os montantes e as datas das transações. Os investigadores também analisaram pagamentos feitos pela Go Up durante o período de filmagens, entre outubro e dezembro de 2025, incluindo R$ 906,7 mil para um hotel e R$ 653 mil para uma empresa de alimentação. A corporação afirma ainda que Frias transferiu R$ 645,4 mil à produtora em menos de 60 dias, valor considerado incompatível com sua renda mensal de deputado, de cerca de R$ 44 mil.

A operação cumpriu 49 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e Distrito Federal. A PF afirma investigar uma suposta organização criminosa formada por agentes públicos e privados que teria direcionado recursos de emendas para empresas subcontratadas irregularmente. A defesa de Frias não foi localizada, enquanto a defesa de Karina Gama, procurada pela reportagem, não se manifestou; à coluna de Mônica Bergamo, a produtora negou irregularidades. Flávio Bolsonaro, que não é investigado neste inquérito, afirma que o filme não recebeu recursos públicos.

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