Política, economia e pandemia

Polarização e indefinição sobre vacina afetam imagem do Brasil no mercado

Bolsonaro e Maia voltaram a trocar farpas em relação aos impactos da Covid-19 no país
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A indefinição e polarização em torno da vacinação contra a Covid-19 no Brasil ganhou novo capítulo no final de semana. O atual presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), chamou o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) de “covarde” no sábado (9) e o culpou pelas mais de 200 mil mortes por Covid-19 já confirmadas no Brasil.

A troca de farpas e a ausência de uma coordenação clara dentro do país para o combate à pandemia exercem um impacto negativo aos olhos do investidor externo.

“Toda essa falta de coordenação acaba afetando a imagem do nosso país. O investidor estrangeiro olha pra cá e vê essa situação nebulosa e não tem apetite ao risco de investir no nosso país”, observa Cristiane Quartaroli, economista do banco Ourinvest, em participação no Morning Call desta segunda-feira (11).

Na América Latina, Argentina, Chile, Costa Rica e México já iniciaram seus processos de imunização, inclusive com vacinas consideradas para uso no Brasil — como a da Pfizer. Na União Europeia, a maior dos países optou por começar a vacinação no mesmo dia, ainda em dezembro.

De acordo com o Ministério da Saúde, a imunização no Brasil pode começar ainda em janeiro, em uma projeção otimista. No entanto, o governo trabalha com outros dois cenários, mais pessimistas, que podem adiar esse início para a primeira quinzena de fevereiro.

Esse descompasso, na visão de Quartaroli, fazem o Brasil ficar ainda pior na foto no cenário externo. “Vários outros já iniciaram a imunização e aqui nada. É uma indefinição e um atraso muito grandes, afeta nossa imagem”.

Reformas pendentes

A economista concorda que o mercado deve mudar um pouco sua percepção sobre o Brasil quando a vacinação começar por aqui. Por outro lado, ela alerta que o país ainda possui questões internas a resolver para se mostrar um local atrativo para atrair investimentos.

“Temos toda uma questão estrutural da economia que precisa ser arrumada ao longo deste ano”, disse ela, se referindo às reformas paradas no Congresso Nacional — como a tributária e a administrativa.

Uma paralisia que, por sua vez, também é influenciada pela disputa em torno das presidências da Câmara e do Senado, que definem seus novos comandantes no próximo dia 1º de fevereiro.

A disputa é mais acirrada na Câmara dos Deputados, onde os principais candidatos são Arthur Lira (PP-AL), que conta com apoio de Bolsonaro, e Baleia Rossi (MDB-SP), com suporte de Rodrigo Maia.

O presidente Jair Bolsonaro e o deputado Rodrigo Maia
O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e o deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ).
(Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)
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