Augusto Cury começa a ser testado no segundo turno Foto: Reprodução Globo

Augusto Cury começa a ser testado no segundo turno

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Pesquisa BTG/Nexus registrada no TSE inclui o escritor em simulação de segundo turno e pode revelar se ele já ameaça romper a polarização na eleição presidencial

Augusto Cury acaba de atravessar uma nova fronteira nesta eleição. Depois de surpreender nas pesquisas de primeiro turno, o escritor começa agora a aparecer nos questionários dos institutos também nas simulações de segundo turno.

A próxima pesquisa Nexus/BTG, já registrada no TSE e com divulgação prevista para segunda-feira, inclui um confronto de segundo turno com Cury. É uma mudança importante. Até agora, o escritor aparecia nas pesquisas como uma alternativa no primeiro turno, mas não era colocado diante do eleitor na pergunta que realmente mede a viabilidade de uma candidatura: e se ele chegar à final?

Outros institutos devem seguir o mesmo caminho.

Pode parecer apenas uma alteração no questionário, mas é uma mudança de patamar político. Os institutos começam a tentar descobrir se o crescimento de Cury é apenas a manifestação de um eleitor cansado das opções disponíveis ou se existe ali uma candidatura capaz de sobreviver ao funil do segundo turno.

Essa é a pergunta que passou a circular também no mercado financeiro.

Nos últimos dias, estrategistas e executivos que até poucas semanas atrás pouco sabiam sobre Augusto Cury passaram a fazer algo bastante improvável numa campanha presidencial: ler seus livros.

E descobriram que talvez tenham subestimado justamente aquilo que Cury sabe fazer melhor.

O escritor construiu uma carreira milionária vendendo livros que falam diretamente de ansiedade, medo, frustração, felicidade e esperança. Suas obras venderam milhões de exemplares e chegaram a dezenas de países. Um estrategista do mercado resumiu a descoberta assim:

“Esse cara consegue falar com a mente das pessoas. Os livros dele dão conforto às pessoas.”

Não é pouca coisa numa eleição marcada por cansaço, rejeição e uma polarização que há anos obriga parte do eleitorado a escolher não necessariamente quem deseja, mas quem considera menos indesejável.

Por enquanto, os números desta semana sugerem uma estabilização de Cury depois do salto que o colocou de repente no centro da eleição. Se ele continuará avançando ou encontrou seu teto, ninguém sabe.

É justamente por isso que as simulações de segundo turno ganham tanta importância.

Elas poderão mostrar se existe uma transferência de votos para Cury quando o eleitor é obrigado a escolher entre apenas dois candidatos. E, principalmente, se ele consegue atrair aquele eleitor que hoje vota em B porque rejeita A, ou em A porque rejeita B.

Se Cury aparecer competitivo nesses confrontos, a dinâmica da eleição pode mudar.

Pela primeira vez, esse eleitor poderá enxergar uma terceira possibilidade não apenas para protestar no primeiro turno, mas para chegar ao segundo.

É aí que começa também o problema de Augusto Cury.

Até agora, sua capacidade de confortar corações mostrou-se eleitoralmente poderosa. Mas uma campanha presidencial exige algo além de inteligência emocional.

Cury precisará correr para montar equipe, formular um programa de governo e estudar o Brasil real. Nas entrevistas em que foi obrigado a sair de seu território de domínio e responder sobre os grandes problemas nacionais, revelou lacunas importantes.

O homem que escreveu dezenas de livros sobre a mente humana ainda precisa demonstrar que conhece com a mesma profundidade o país que lhe deu seus primeiros leitores.

As próximas pesquisas poderão transformar essa deficiência em urgência.

Porque, se Cury aparecer competitivo no segundo turno, a eleição muda de pergunta.

Não será mais: de onde veio Augusto Cury?

Será:

Até onde Augusto Cury pode chegar?

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