Com chances reais de vitória, PT se despe de ‘Lula Livre’ para vestir ‘Lulinha Paz e Amor’ PT visa imagem ‘Lulinha Paz e Amor’ para tentar eleição em 2022. Foto: Ricardo Stuckert (Fotos Públicas).

Com chances reais de vitória, PT se despe de ‘Lula Livre’ para vestir ‘Lulinha Paz e Amor’

Ala do partido crítica à postura do ex-presidente após a prisão vê espaço para modulação do discurso em direção ao centro e ao empresariado

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  • Dirigentes do PT, que consideravam a postura agressiva de Lula prejudicial, buscam convencê‑lo a adotar um discurso mais centrista e próximo ao empresariado.
  • O partido atribui a perda de 73 prefeituras nas eleições municipais de 2020 ao discurso ofensivo do ex‑presidente.
  • Após 580 dias de prisão e a defesa da campanha “Lula Livre”, a cúpula do PT acredita ter chances reais de competitividade nas eleições de 2022.
  • O PT pretende substituir a imagem “Lula Livre” por “Lulinha Paz e Amor”, retomando a estratégia de 2002 que contou com apoio de empresários como José de Alencar e, atualmente, Luiza Trajano.

Dirigentes do PT que viam como nociva a postura do ex-presidente Lula após a prisão veem, agora, uma oportunidade para convencê-lo a mudar o tom e fazer acenos mais ao centro e ao empresariado. Esse grupo atribuía ao discurso ofensivo de Lula o resultado pífio nas eleições municipais, quando se achava que a legenda já havia chegado ao fundo do poço. Cavaram mais um pouquinho e encerraram 2020 com 73 prefeituras a menos.

PT visa imagem 'Lulinha Paz e Amor' para tentar eleição em 2022.
PT visa imagem ‘Lulinha Paz e Amor’ para tentar eleição em 2022. Foto: Ricardo Stuckert (Fotos Públicas).

Desde que viu sua situação se complicar com a Justiça, o ex-presidente levou o partido a defender a bandeira do “Lula Livre” de forma aguerrida.  Depois de passar 580 dias preso, deixou interferir nas alianças para as eleições municipais o compromisso que aliados tinham com a defesa de sua inocência. O movimento foi criticado internamente.

Agora que a cúpula do PT vê chances reais de chegar competitivo em 2022, quer convencer o ex-presidente a despir o partido do “Lula Livre” para vestir, mais uma vez, o “Lulinha Paz e Amor”. A postura mais conciliatória pavimentou a primeira eleição do petista em 2002, com acenos ao centro e ao empresariado. Na época, compôs a chapa presidencial o empresário José de Alencar; hoje, a menina dos olhos é Luiza Trajano, a dona do Magazine Luiza.

Dirigentes do partido já adotam um tom mais ameno nas conversas desde que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Edson Fachin considerou a Justiça do Paraná inepta para analisar os casos do ex-presidente, mas aguardam apreensivos a coletiva marcada para esta quarta-feira (10) em São Bernardo. Lula tem se demonstrado desnorteado com a decisão de Fachin, ainda sem saber onde está pisando e, por isso, adiou a entrevista, marcada inicialmente para a terça-feira. Seja como for, ela dará o tom a ser seguido pelo resto da legenda.

Programa ‘Café do MyNews‘ desta quarta-feira (10), apresentado pela jornalista Juliana Braga

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