colunista Juliana Braga
Jornalista do MyNews
ANÁLISE

Impeachment é ameaça vazia de Maia

Mesmo que Maia leve adiante ameaça de impedimento de Bolsonaro, grupo de Lira articula invalidar ato
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Rodrigo Maia chega ao final de seu reinado na Câmara dos Deputados enfraquecido, abandonado pelo próprio partido, em um roteiro típico de derrotas: promete cair atirando.

Em uma reunião, exaltado com o desembarque do DEM do bloco de apoio ao seu candidato, Baleia Rossi (MDB-SP), o atual presidente da Câmara ameaçou desengavetar os pedidos de impeachment contra o presidente Jair Bolsonaro. Os mesmos que ignorou de dois anos para cá.

Maia ameaçou desengavetar pedidos de impeachment contra Jair Bolsonaro

A ameaça, no entanto, parece vazia mesmo para os seus aliados. O dia está apenas começando, mas integrantes do bloco de apoio a Rossi não apostam que Maia concretizará sua ameaça. Sairia apequenado, dado a vinganças passionais.

Já do lado de Arthur Lira (PP-AL), seu oponente e o provável vencedor dessa disputa, as contas são feitas para colocar de volta na gaveta qualquer pedido capaz de incomodar Jair Bolsonaro, fiador da candidatura do alagoano. Alguns caminhos são possíveis.

O primeiro seria questionar na Justiça a abertura de um processo de impeachment neste 1º de fevereiro. Como a sessão desta segunda-feira é destinada à votação, não seria uma Sessão Ordinária, portanto, inválida para quaisquer outras decisões. A briga passaria pelo Supremo Tribunal Federal e ficaria à mercê dos togados.

O segundo caminho seria submeter a abertura do processo à Mesa Diretora que será eleita hoje, ou seja, voltar duas casas no jogo. Nessa análise do grupo de Lira, brechas burocráticas seriam utilizadas para anular o ato de Maia. Também poderia acabar sendo judicializado posteriormente pela oposição, mas já tiraria a pedra do caminho em um primeiro momento.

O terceiro caminho, mais arriscado, seria deixar o processo correr e contar com a maioria do bloco formado por Lira para enterrar de vez um eventual processo aberto. Como presidente da Câmara, Lira teria o controle da formação da comissão que precisa analisar a deposição do presidente e poderia montar as peças de forma a garantir um resultado favorável.

Tudo isso, claro, se Maia for adiante em sua ameaça. Aliados do atual presidente da Casa lembram que o tempo é apertado e que mesmo que decida pela abertura, Maia corre o risco até de não conseguir publicar a decisão no Diário Oficial. “Hoje é o dia de duas presidências”, lembra um deputado. A análise do afastamento do presidente ficaria, assim, para uma improvável vitória de Baleia Rossi.

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