Para conter insubordinação, próximas punições no Exército devem ser mais severas Pazuello em ato com Bolsonaro. Foto: Fernando Frazão/Agencia Brasil

Para conter insubordinação, próximas punições no Exército devem ser mais severas

Estratégia já foi usada em outros momentos de agitações e visa a evitar uma escalada da crise nos quartéis

00:00
  • O Alto Comando do Exército decidiu endurecer as punições para casos de insubordinação.
  • A medida surge após a decisão de não punir o general e ex‑ministro da Saúde Eduardo Pazuello, que participou de manifestação ao lado do presidente Jair Bolsonaro no Rio de Janeiro, ato proibido pelo regimento.
  • Os generais afirmam que o primeiro infrator receberá uma “pancada” e que as sanções poderão escalar se houver novos episódios.
  • A estratégia remete a ações anteriores de controle de agitação nos quartéis, como a prisão de Bolsonaro em 1987.

Com a decisão de não punir o ex-ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, o Alto Comando do Exército se prepara para evitar a multiplicação de episódios de insubordinação. Pazuello, general da ativa, participou de uma manifestação ao lado do presidente Jair Bolsonaro no Rio de Janeiro, o que é proibido pelo regimento. O plano dos generais agora é tratar os próximos episódios de maneira exemplar e muito mais severa. 

Com isso, pretendem deixar claro que a situação de Pazuello é particular, porque envolve o presidente da República. O primeiro que sair da linha, receberá uma “pancada”, dizem. Se for necessário e houver mais de um episódio, as punições podem ir escalando. 

Pazuello em ato com Bolsonaro. Foto: Fernando Frazão/Agencia Brasil
Ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello em ato com o presidente Jair Bolsonaro. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

A estratégia já foi utilizada em outros momentos de agitação nos quartéis. Quando o então capitão Jair Bolsonaro foi preso, em 1987, havia um forte clima de insatisfação com os baixos salários e a defesa do retorno do regime militar. À época, o capitão Luís Fernando Valter de Almeida invadiu a prefeitura de Apucarana (PR) com mais 50 homens. Foi condenado a um ano e meio de cadeia. E as agitações se esfriaram.

Agora, alguns generais avaliam que o problema poderia ter sido evitado com a punição do próprio Pazuello e classificam como equivocada a decisão do comandante do Exército, Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira. Para esses oficiais, Pazuello tinha de ter sido punido para manter o Exército como uma instituição de Estado e preservar os princípios basilares da disciplina e da hierarquia. Uma advertência teria sido suficiente, dizem.

Esses oficiais citam o exemplo do vice-presidente da República, Hamilton Mourão. Em 2015, em uma palestra, ele fez críticas ao governo da ex-presidente Dilma Rousseff e disse ser necessário “despertar para a luta patriótica”. Foi exonerado do Comando Militar do Sul e designado para a burocrática Secretaria de Economia e Finanças do Exército.

A decisão pela não punição veio para evitar um acirramento da crise. Punido, o ex-ministro da Saúde poderia ter pedido a reconsideração do ato. Nesse caso, Bolsonaro analisaria e, muito provavelmente, anularia a reprimenda. Nesse quadro hipotético, tiraria a autoridade do Comandante e do Alto Comando. A opção foi por não correr esse risco. O presidente não tem se furtado a esticar a corda.

Relacionados