colunista Juliana Braga
Jornalista do MyNews
Caso Pazuello

Para conter insubordinação, próximas punições no Exército devem ser mais severas

Estratégia já foi usada em outros momentos de agitações e visa a evitar uma escalada da crise nos quartéis
Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no linkedin
Compartilhar no whatsapp

Com a decisão de não punir o ex-ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, o Alto Comando do Exército se prepara para evitar a multiplicação de episódios de insubordinação. Pazuello, general da ativa, participou de uma manifestação ao lado do presidente Jair Bolsonaro no Rio de Janeiro, o que é proibido pelo regimento. O plano dos generais agora é tratar os próximos episódios de maneira exemplar e muito mais severa. 

Com isso, pretendem deixar claro que a situação de Pazuello é particular, porque envolve o presidente da República. O primeiro que sair da linha, receberá uma “pancada”, dizem. Se for necessário e houver mais de um episódio, as punições podem ir escalando. 

Pazuello em ato com Bolsonaro. Foto: Fernando Frazão/Agencia Brasil
Ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello em ato com o presidente Jair Bolsonaro. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

A estratégia já foi utilizada em outros momentos de agitação nos quartéis. Quando o então capitão Jair Bolsonaro foi preso, em 1987, havia um forte clima de insatisfação com os baixos salários e a defesa do retorno do regime militar. À época, o capitão Luís Fernando Valter de Almeida invadiu a prefeitura de Apucarana (PR) com mais 50 homens. Foi condenado a um ano e meio de cadeia. E as agitações se esfriaram.

Agora, alguns generais avaliam que o problema poderia ter sido evitado com a punição do próprio Pazuello e classificam como equivocada a decisão do comandante do Exército, Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira. Para esses oficiais, Pazuello tinha de ter sido punido para manter o Exército como uma instituição de Estado e preservar os princípios basilares da disciplina e da hierarquia. Uma advertência teria sido suficiente, dizem.

Esses oficiais citam o exemplo do vice-presidente da República, Hamilton Mourão. Em 2015, em uma palestra, ele fez críticas ao governo da ex-presidente Dilma Rousseff e disse ser necessário “despertar para a luta patriótica”. Foi exonerado do Comando Militar do Sul e designado para a burocrática Secretaria de Economia e Finanças do Exército.

A decisão pela não punição veio para evitar um acirramento da crise. Punido, o ex-ministro da Saúde poderia ter pedido a reconsideração do ato. Nesse caso, Bolsonaro analisaria e, muito provavelmente, anularia a reprimenda. Nesse quadro hipotético, tiraria a autoridade do Comandante e do Alto Comando. A opção foi por não correr esse risco. O presidente não tem se furtado a esticar a corda.

Inscreva-se na newsletter
Relacionadas
CPI DA PANDEMIA
Relator divulgou lista com 14 nomes; inclui Wizard, Wajngarten, Capitã Cloroquina
Entrevista
Ex-senador afirma ter sido vítima de uma “verdadeira aberração jurídica”
2022
Renato Pereira, contratado por Freixo, fez delação premiada que baseou denúncia contra prefeito do Rio
Privatização
Em corrida contra o tempo, Arthur Lira marcou para segunda (21) votação da MP, que vence na terça
PRIVATIZAÇÃO
Projeto que permite privatização da Eletrobras volta para Câmara. MP perde validade na terça se não for aprovada
Senado Federal
Maria Inês Fini avalia que senador mostrou na CPI da Pandemia não ter preparo emocional e condições para exercer o cargo

Utilizamos cookies essenciais e tecnologias semelhantes de acordo com a nossa Política de Privacidade e Política de Cookies. Ao continuar navegando, você concorda com estas condições.