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Discurso de Salles sobre celulares de indígenas é racista, diz liderança da APIB

Ministro do Meio Ambiente falou que população originária com celulares seria a “Tribo do Iphone”
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Indígenas estenderam uma faixa na Esplanada dos Ministérios contra o projeto de lei que regulamenta a exploração de recursos minerais, hídricos e orgânicos de reservas indígenas e o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, ironizou uma foto dos indígenas na manifestação com aparelhos celulares. Para o ministro, eles seriam a “Tribo do iPhone”. Eriki Paiva, do povo Terena, afirma que a fala de Salles foi preconceituosa.

“Muitas pessoas na sociedade pensam da mesma forma, compartilham o pensamento do ministro e a todo tempo tentam deslegitimar nossa identidade, através de discursos como esse, preconceituosos, racistas. Essas tecnologias que a gente tem, são de recursos da FUNAI. É de extrema ignorância um discurso como esse. Para uso pessoal, nós adquirimos através do nosso trabalho, por isso que muitas vezes a gente vê indígenas na cidade ou dentro da aldeia mesmo, sou professor contratado pelo município. Nós também temos as nossas formas de renda, nós também vendemos cultura, vivemos da agricultura, da caça, da pesca, muitas vezes a gente trabalha com pescado, com feiras. A gente foi induzido nesse mundo capitalista e a gente também tem muitas formas de trabalho”, relata a liderança indígena.

Paiva faz parte do grupo que monitora os dados sobre a pandemia entre os povos indígenas brasileiros e afirma que a Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai) subnotifica os dados relacionados à pandemia entre os indígenas. De acordo com a APIB, a taxa de mortalidade de indígenas por Covid-19 é 7 vezes maior do que a da população brasileira.

“O Comitê Nacional pela Vida e Memória Indígena foi criado no começo de março do ano passado, quando a pandemia começou a chegar nos territórios indígenas. Esse projeto é para sistematizar os dados da covid-19 entre povos indígenas no Brasil. Entendemos que o Governo Federal ia subnotificar esses dados, somente através da Sesai, que por esse órgão são considerados apenas indígenas em contexto de áreas homologadas e a gente vive no Brasil uma realidade em que os povos indígenas estão também na cidade, estão em terras indígenas não homologadas, estão em fazendas e esses dados não abarcariam toda essa diversidade nacional pela vida indígena”, explica Paiva.

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