colunista Vilma Pinto
Economista e pesquisadora da FGV IBRE

Inflação e o auxílio emergencial

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Supermercado na zona sul do Rio de Janeiro
Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Em um contexto de recrudescimento da pandemia, as medidas fiscais de apoio às famílias em situação de vulnerabilidade econômica e social se tornam cada vez mais importantes e essenciais.

A volta remodelada do auxílio emergencial e o retorno do benefício emergencial de manutenção do emprego e da renda são ações importantes que podem trazer um fôlego para milhões de brasileiros.

Contudo, seus potenciais efeitos sobre a população beneficiada serão menores que os observados no ano passado, seja pela drástica redução de escopo dos programas emergenciais, seja pela alta da inflação observada nos últimos meses.

Recentemente, temos observado uma expressiva aceleração inflacionária. Em março o índice de preços ao consumidor amplo (IPCA) registrou alta de 0,93%, 0,07 pontos percentuais acima de fevereiro (0,86%), acumulando alta de 6,10% em doze meses. Já a mediana das expectativas de mercado para a inflação de final de ano é de 5,01%.

A inflação reflete a variação geral dos preços dos bens e serviços, contudo, diferentes fatores podem criar uma percepção da inflação diferente da observada no índice geral. Com objetivo de conhecer a inflação por diferentes classes sociais, o Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (IPEA) estima mensalmente a inflação por faixas de renda. 

A partir do indicador do IPEA, observamos que enquanto a inflação acumulada em doze meses registrada para as famílias de renda mais alta (renda domiciliar superior a R$ 16.509,00) foi de 4,67%, para as famílias mais pobres (renda domiciliar inferior a R$ 1.650,00) foi de 7,24% no mesmo período. Essa diferença se dá devido a composição da cesta de consumo das famílias mais pobres e mais ricas. Enquanto a primeira tem sua cesta de consumo composta majoritariamente por itens que sofreram variações de preços mais agressivas nestes últimos doze meses, para a segunda o peso desses itens é menor.

Como forma de conceder apoio financeiro aos indivíduos em situação de vulnerabilidade econômica e social, o governo federal criou o Auxílio emergencial em 2020. Inicialmente, o benefício era de R$ 600 ou R$ 1.200 depois o valor benefício foi reduzido pela metade. Este ano, o novo auxílio emergencial tem escopo ainda menor, seja em termos de público alvo, seja em termos de valor individual pago.

Em 2020 o governo federal destinou R$ 293,11 bilhões à 68,2 milhões de pessoas via auxílio emergencial e em 2021 o gasto previsto é de R$ 44,86 bilhões, devendo atingir cerca 45,6 milhões de pessoas.

Apesar do auxílio emergencial servir como alento à tantas pessoas que vivem em situação de dificuldades econômicas em decorrência dos efeitos da pandemia, o crescimento da inflação em 2021 reduz a potencialidade do auxílio emergencial de sanar todas as necessidades básicas da população mais vulnerável.

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