Mercado antecipa novo cenário político e mantém espaço para renda fixa e bolsa Foto: iStock

Mercado antecipa novo cenário político e mantém espaço para renda fixa e bolsa

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Por que o dinheiro estrangeiro voltou à bolsa, o que pode acontecer com os juros e por que o investidor ainda precisa ter cautela antes de mudar sua carteira

O mercado financeiro passou por uma forte reprecificação após o primeiro turno das eleições, com alta expressiva da bolsa, queda do dólar e fechamento dos juros futuros. Na avaliação de Fabrício Voigt, economista-chefe da Aware Investments, o movimento não pode ser explicado apenas pelo resultado presidencial, mas principalmente pela composição do Congresso e do Senado, interpretada pelos investidores como um possível mecanismo de contenção de riscos fiscais. A perspectiva de maior governabilidade e de avanço de medidas voltadas ao equilíbrio das contas públicas ajudou a reduzir o prêmio de risco brasileiro e atraiu capital estrangeiro para a bolsa.

Para Voigt, o principal desafio continuará sendo fiscal. O crescimento das despesas obrigatórias e a forma de indexação de gastos públicos pressionam as contas do governo, tornando necessárias mudanças capazes de conter a expansão das despesas. Nesse cenário, uma eventual agenda de ajuste fiscal poderia provocar nova queda do prêmio de risco e dos juros, beneficiando ativos brasileiros. O economista pondera, porém, que a execução dessas medidas dependerá da capacidade política do próximo governo. Mesmo em uma eventual vitória de Lula, o cenário não seria necessariamente catastrófico para os mercados, já que a atual composição do Congresso poderia funcionar como um contrapeso e dificultar mudanças consideradas negativas pelos investidores.

A queda dos juros também recolocou a renda fixa no centro das atenções. Quem havia comprado títulos prefixados ou atrelados à inflação antes do movimento recente conseguiu capturar uma valorização importante com o fechamento das taxas. Ainda assim, Voigt avalia que não é tarde para investir em renda fixa, embora seja necessário ter atenção ao horizonte de cada aplicação. Segundo ele, investimentos pós-fixados são mais adequados a objetivos de curto prazo, prefixados podem atender horizontes intermediários e títulos indexados à inflação fazem mais sentido para projetos de prazo mais longo. A escolha, portanto, não deve ser baseada apenas na rentabilidade recente, mas no momento em que o investidor precisará utilizar os recursos.

A mesma cautela vale para bolsa e dólar. O fato de o real estar valorizado não significa, por si só, que seja o momento de concentrar o patrimônio em moeda estrangeira, assim como a forte alta das ações não elimina necessariamente novas oportunidades. Para Voigt, a principal lição é que o cenário político deve ser apenas um dos fatores considerados na construção de uma carteira. O investidor precisa definir seus objetivos, prazos e tolerância à volatilidade antes de escolher os ativos. Em um ambiente de mudanças rápidas nas expectativas, mais importante do que tentar acertar o próximo movimento do mercado é construir uma estratégia capaz de atravessar diferentes cenários.

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