Tesouro IPCA+ atrai investidores, mas sufoca setor produtivo Brasil registra crescimento econômico em meio a juros altos | Foto: Pixabay tesouro ipca+

Tesouro IPCA+ atrai investidores, mas sufoca setor produtivo

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Especialista Augusto Parente analisa como as taxas históricas da renda fixa atraem investidores, enquanto a Selic elevada pressiona empresas

O cenário econômico brasileiro vive um paradoxo marcante: de um lado, a manutenção de juros reais entre os mais elevados do mundo cria uma janela histórica de rentabilidade para o investidor na renda fixa; do outro, a permanência da taxa Selic em patamares altos sufoca o caixa das companhias e dispara os pedidos de recuperação judicial.

Em entrevista ao Café do MyNews, o fundador da AW Capital, Augusto Parente, comentou essa dicotomia entre balanços corporativos e oportunidades no Tesouro Direto. O especialista avaliou os impactos da curva de juros no bolso dos brasileiros e no equilíbrio das contas públicas.

A Vantagem dos Juros Reais e a “Marcação a Mercado”

Recentemente, o vencimento de títulos atrelados à inflação movimentou cerca de R$ 280 bilhões em resgates e cupons. Consequentemente, o Tesouro Nacional enfrentou desafios para rolar a dívida no longo prazo. O motivo principal para isso é a alta atratividade das aplicações de curto prazo.

Nesse contexto, Augusto Parente explicou que a Selic elevada faz o investidor exigir prêmios maiores no longo prazo. Atualmente, o Tesouro Selic capta muito capital pela liquidez e pelo retorno elevado sem oscilações. Em contrapartida, o Tesouro IPCA+ oferece taxas altas no longo prazo, permitindo travar um ganho real expressivo acima da inflação.

A Outra Face da Moeda

Enquanto a renda fixa celebra as taxas atrativas, a economia real sente o peso do custo de capital. Parente ressaltou que a manutenção de juros altos por um período prolongado cobra o seu preço diretamente no balanço das empresas, sobretudo nos setores de varejo e serviços.

O resultado é a discrepância entre discursos oficiais de avanço no Produto Interno Bruto (PIB) e o ambiente enfrentado pelos empresários. A escalada das recuperações judiciais já atinge empresas emblemáticas e consolidadas no mercado, que lutam para reestruturar dívidas bilionárias. Para pequenas e médias empresas, a situação é ainda mais grave: o custo de captação atinge patamares de Selic somados a spreads elevados, resultando em taxas anuais que inviabilizam novos investimentos e a própria manutenção das operações.

Além disso, a dívida pública segue fortemente concentrada no curto prazo, exigindo refinanciamentos constantes e mantendo a pressão fiscal e o risco soberano no radar do mercado. O cenário desenhado por Augusto Parente expõe a fragilidade de um equilíbrio econômico pautado por prêmios de risco elevados: de um lado, o fluxo de retornos para quem tem capital para investir; do outro, o desafio contínuo para o setor produtivo conseguir girar a roda da economia.

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