Fernando Haddad é interrompido na Unicamp após intervenção com integrantes ligados ao MBL Fernando Haddad (Foto: Valter Campanato/Agência Brasil)

Fernando Haddad é interrompido na Unicamp após intervenção com integrantes ligados ao MBL

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O evento com o pré-candidato do PT ao Governo de São Paulo foi paralisado por alguns minutos após troca de provocações, empurrões e agressões; grupo afirma que foi alvo de violência ao tentar questionar o ex-ministro

A aula magna do pré-candidato do PT ao Governo de São Paulo, Fernando Haddad, foi interrompida na noite desta quinta-feira (2), após uma confusão envolvendo pessoas ligadas ao Movimento Brasil Livre (MBL) e participantes do evento na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). A atividade, que discutia os desafios econômicos do Brasil, era realizada no Teatro de Arena da universidade quando um grupo passou a interromper a fala de Haddad com questionamentos e insultos, dando início ao tumulto.

Segundo apuração da coluna, os envolvidos são Matheus Pereira, pré-candidato a deputado estadual pelo Missão, e Gabriel Piauhy, pré-candidato a deputado federal pela mesma legenda. 

Em um vídeo registrado no local, é possível observar o momento em que Matheus Pereira é retirado do espaço e sofre uma rasteira durante a confusão. Em seguida, a situação evolui para empurrões e agressões, interrompendo a programação por alguns minutos. Testemunhas relataram que houve uma agressão generalizada durante o entrevero.

Em uma nota pública, a Unicamp informou que “condena veementemente os acontecimentos”, e que medidas cabíveis estão sendo tomadas: “A Reitoria da Universidade Estadual de Campinas condena veementemente os atos de violência e tumulto registrados no transcurso da aula magna realizada na noite de 2 de julho, no Teatro de Arena da Universidade. A interrupção, por meio de agressões, de uma atividade acadêmica aberta à comunidade é inaceitável e contraria os princípios mais fundamentais da instituição.

A Unicamp reafirma seu compromisso histórico com a liberdade de expressão, o pluralismo de ideias e o debate qualificado — valores essenciais de qualquer universidade pública e da própria democracia. Divergências políticas e ideológicas são bem-vindas e devem ser expressas dentro do respeito mútuo e das regras do debate acadêmico, jamais por meio de violência ou intimidação.

A Reitoria informa que apura os fatos ocorridos e adotará as medidas cabíveis, em conjunto com as instâncias internas competentes. A Universidade permanecerá um espaço livre, seguro e plural para a construção do conhecimento e o exercício da cidadania.

Campinas, 3 de julho de 2026.

Reitoria da Unicamp”

Em nota, Matheus Pereira e Gabriel Piauhy afirmaram que compareceram ao evento para questionar Haddad sobre temas relacionados ao governo federal e denunciar uma suposta campanha eleitoral antecipada.

Nós fomos ao evento com o objetivo de questionar o Haddad sobre o aumento da taxa das blusinhas que o Lula falou que foi ideia dele e sobre a gestão dele como ministro da Educação e agora da Fazenda. Fora a denúncia de suposta campanha antecipada. Mal chegamos e fomos recebidos com socos e chutes pelos estudantes. A todo momento deixamos claro que não queríamos briga. Fui agredido por um indivíduo que estava participando do evento e por um funcionário”, informou os militantes em nota.

Histórico de episódios na universidade

Matheus Pereira figura entre os nomes lançados pelo Missão para disputar uma vaga na Assembleia Legislativa pela região de Campinas e já havia se envolvido em outro episódio na Unicamp no início deste ano.

Na ocasião, um grupo ligado ao MBL entrou no campus de Barão Geraldo e pintou de branco paredes do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH). O episódio terminou com a expulsão dos integrantes por estudantes e levou a Reitoria da universidade a classificar a ação como uma “invasão”, acompanhada de atos de intimidação durante o primeiro dia letivo.

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