Ex-presidente Michel Temer. Foto: Agência de Notícias da Indústria
Ex-presidente afirma que impeachment seguiu a Constituição, defende relação entre Executivo e Congresso e diz que acusações da JBS foram o momento mais difícil de seu governo
O ex-presidente Michel Temer voltou a afirmar que o impeachment de Dilma Rousseff ocorreu dentro das regras constitucionais. Além disso, rejeitou a tese de que houve um golpe de Estado. Segundo ele, a Câmara dos Deputados, o Senado Federal e o Supremo Tribunal Federal (STF) conduziram o processo conforme prevê a Constituição. Por isso, Temer considera que o afastamento da então presidente foi legítimo.
Ao relembrar sua chegada à Presidência, Temer disse que sempre respeitou o resultado das urnas e a representação popular. Segundo ele, essa percepção surgiu ainda na Assembleia Constituinte de 1988. Na época, percebeu que o Congresso reúne representantes de diferentes setores da sociedade. Assim, passou a defender que todo parlamentar eleito merece respeito por representar a vontade dos eleitores.
Para Temer, um dos principais fatores que enfraqueceram o governo Dilma foi a dificuldade de articulação política. Ele afirmou que governar exige diálogo permanente entre Executivo e Legislativo. Por isso, reuniu frequentemente líderes partidários e presidentes das Casas para negociar projetos. Dessa forma, conseguiu aprovar medidas como o teto de gastos e a reforma trabalhista.
Além disso, o ex-presidente atribuiu essa dificuldade à pouca experiência política de Dilma antes de chegar ao Palácio do Planalto. Segundo ele, quem nunca exerceu mandato no Legislativo ou em cargos eletivos tende a subestimar o papel do Congresso na construção de maiorias.
Temer classificou a delação da JBS, em 2017, como o momento mais delicado de seus 963 dias de governo. Segundo ele, as acusações colocaram sua conduta ética em dúvida e atingiram sua reputação. No entanto, afirmou que parte das informações divulgadas inicialmente não correspondia ao conteúdo do áudio. Por isso, decidiu permanecer no cargo e enfrentar as investigações, em vez de renunciar.
Apesar da crise, Temer afirmou que o governo retomou o ritmo após um período de instabilidade. Segundo ele, a inflação continuou em queda e os juros seguiram recuando até o fim do mandato, em janeiro de 2019. Dessa maneira, sustentou que a agenda econômica permaneceu ativa mesmo após o episódio.
Ao encerrar a entrevista, Temer reafirmou que considera seu governo um período de recuperação institucional e econômica. Também defendeu que a governabilidade depende da cooperação entre Executivo e Legislativo. Para ele, esse diálogo permitiu aprovar reformas importantes e manter a estabilidade política durante o mandato.