Levantamento mostra que jovens buscam um ecossistema aberto e plural para entender as eleições brasileiras; 87% acompanham assuntos políticos semanalmente
O ambiente digital e a Geração Z são naturalmente associados, mas, quando se trata do consumo de conteúdos políticos, a novidade é que a juventude já não é mais desinteressada pela política. Segundo levantamento do Observatório de Novas Gerações da Trope-se, os jovens buscam credibilidade e confiam em especialistas e acadêmicos que estão no YouTube para formar sua opinião.
Esse movimento quebra o discurso recorrente sobre um suposto “apagão cívico” ou desinteresse, apresentando uma Geração Z brasileira, que está redefinindo a forma de se informar sobre política. O estudo aponta que as novas gerações ajudaram marcas a rejuvenescer suas estratégias de negócios, e 87% dos jovens da Geração Z acompanham assuntos políticos pelo menos em escala semanal.
Isso se dá pela variedade e diversidade de opiniões encontradas em plataformas como o YouTube, que proporciona aos jovens diferentes perspectivas e os coloca no centro da decisão sobre as informações que chegam até eles.
“A tese do ‘apagão cívico’ surge porque tentamos medir o engajamento da Gen Z com réguas criadas para gerações anteriores. Os jovens não deixaram de se importar com o país; eles buscam um ecossistema aberto e plural para construir suas visões. O YouTube se consolida como um espaço essencial para essa jornada por garantir a liberdade de expressão e a diversidade de opiniões, permitindo que os jovens confrontem diferentes perspectivas e tomem decisões informadas de forma autônoma”, afirma Luiz Menezes, CEO da Trope-se.
O estudo, que contou com o apoio do YouTube e foi realizado entre 17 e 19 de junho de 2026, ouviu 982 jovens em todo o Brasil e revela que a jornada de engajamento dessa geração ocorre de forma multifacetada.
O YouTube surge como um espaço de busca por informação qualificada, validação por especialistas e diversidade de pontos de vista.
Contrariando a ideia de que a Geração Z não consome conteúdos densos, 80% dos entrevistados afirmam recorrer a vídeos longos no YouTube para se informar sobre política.
O hábito é complementar ao consumo de vídeos curtos para a mesma finalidade, citado por 90% dos jovens ouvidos. O resultado aponta para um comportamento dinâmico, no qual diferentes formatos são utilizados de acordo com a necessidade de informação. A busca por credibilidade também aparece entre os principais resultados da pesquisa. Para formar suas opiniões políticas, 82% dos entrevistados afirmam confiar em especialistas e acadêmicos.
Dentro do YouTube, a atenção da audiência se distribui entre diferentes fontes de informação. Entre os entrevistados, 44% afirmam se informar sobre política com jornalistas independentes, enquanto 43% recorrem a veículos da mídia tradicional e 41% buscam criadores focados em cobertura de notícias.
A experiência de Gabriela Mendes, 28 anos, estudante de jornalismo, ajuda a ilustrar esse comportamento. Ela conta que prefere acompanhar política pelo YouTube por considerar a plataforma mais simples e por permitir que escolha quais fontes deseja acompanhar.
“Eu acho bem mais simples acompanhar as eleições pelo YouTube em comparação com antigamente, quando eu tinha que fazer isso exclusivamente por matérias escritas na internet ou acompanhando pela televisão”, afirma.
Segundo a estudante, além da linguagem utilizada, suas escolhas também são influenciadas pela identificação com as perspectivas políticas apresentadas pelos canais que acompanha. “Eu acredito que posso, pelo YouTube, selecionar melhor quais são as fontes que quero acompanhar, seja porque elas falam de uma maneira mais simples ou mais voltada para o meu público, mas também porque, pessoalmente, as fontes que acompanho tendem a se alinhar melhor com as minhas visões políticas”, explica.
A estudante afirma ainda que seu consumo não se limita a um único formato. Dependendo do assunto, ela acompanha desde vídeos de cerca de cinco minutos até conteúdos com duração de uma hora. Lives e produções com mais de um interlocutor também fazem parte da rotina de consumo.
“Eu costumo assistir prioritariamente a fontes mais independentes”, afirma Gabriela.
Cada vez mais jornalistas independentes têm buscado levar seu conhecimento, análises e investigações para o ambiente digital, criando novas formas de acompanhar a política e outros assuntos de interesse público no Brasil. Um exemplo é o Hub MyNews, iniciativa voltada ao desenvolvimento de canais independentes de jornalismo em vídeo.
Primeira turma de News Creators acelerada pelo Hub MyNews, em parceria com Google e YouTube, mostra como jornalistas donos do próprio negócio estão redesenhando esse ecossistema de notícias no Brasil. O movimento acompanha o comportamento identificado pela pesquisa da Trope-se, que aponta a busca da Geração Z por diferentes fontes, formatos e perspectivas para se informar sobre política.
A pesquisa também aponta a importância da plataforma durante o período eleitoral. Segundo o levantamento, 80% dos jovens entrevistados afirmam ter utilizado o YouTube, em alguma medida, para obter informações sobre as eleições.
Para Eduardo Brandini, Head de Parcerias e Responsabilidade do YouTube Brasil, a pluralidade de fontes permite que os jovens tenham contato com diferentes perspectivas durante o processo eleitoral.
“Em momentos decisivos como as eleições, a Geração Z busca ativamente uma pluralidade de perspectivas para construir seu próprio julgamento. Ao abrigar um ecossistema aberto e plural onde convivem em equilíbrio o jornalismo tradicional, vozes independentes e criadores de conteúdo, o YouTube se consolida como uma plataforma fundamental para a liberdade de expressão e proporciona o acesso da nossa juventude a informações que vão ajudá-la no exercício da cidadania”, afirma.