Análise

A vida nada fácil de Bolsonaro para 22

Economia precisa de estímulo fiscal, mas nem isso garante a eleição de Bolsonaro
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Eleições 2022. Para começar vamos dividir em duas camadas: economia e política. No fim juntamos tudo.

Economia. Cenário extremamente complexo e dependente do processo de vacinação. Dado a confusão deste último, acho que o ano de 2021 está comprometido salvo uma reviravolta na organização da vacinação – evento de baixa probabilidade. A crise deixou sequelas talvez subestimadas pelo mercado. Exemplo: milhares de pequenos negócios simplesmente desapareceram. Quando houver a retomada os empregos associados a esses negócios não existem mais.

Conclusão 1: o desemprego deve continuar alto. Com um pouco de sorte para o Bolsonaro sobrará um pouco mais de impulso econômico para 2022, a magnitude deste impulso é que dará a “sensação térmica” de melhora para o cidadão comum muito mais do que o número frio – PIB cresce x% ou y%. Conclusão 2: a incerteza para a economia nos próximos 20 meses é muito grande.

Bolsonaro durante cerimônia no Palácio do Planalto, em Brasília
O presidente Jair Bolsonaro durante cerimônia no Palácio do Planalto, em Brasília. (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Política. O candidato à reeleição sempre parte com uma vantagem inicial. Tem poder e tem recursos do Tesouro para tocar obras, mas aqui a situação fiscal já aponta um limitador.

Aliás, antes de adivinhar a eleição de 2022 precisa entender a eleição de 2018. O que elegeu o Bolsonaro foi a facada. No aspecto subjetivo criou sentimento de pena numa parcela do eleitorado e num aspecto objetivo evitou que fosse aos debates. Da para imaginar ele num debate com o Ciro?

Bem, voltemos a 2022 e agora com números. Para usar números redondos vamos fixar o colégio eleitoral em 150 milhões de votantes. Meu chute é que existam uns 10%, no máximo 15%, de fascistas e inocentes úteis e ignorantes, logo ele partiria com 15 a 22,5 milhões de votos. Partiria porque até entre os fanáticos existem os desiludidos – veja o caso das armas junto aos evangélicos. Então acho que pode até acontecer de ele ficar fora do segundo turno.

Agora tem o lado da oposição. Muitos nomes, zero coordenação e o ruído chamado Lula. Em existindo alguma lucidez é possível ter uma candidatura de centro-direita e outra de centro-esquerda suficientemente palatáveis para os 127,5 milhões de eleitores.

A economia precisa de estímulo fiscal, mas nem isso garante a eleição do Bolsonaro. Se gastar muito, o mercado leva a taxa de câmbio para 7 reais por dólar, a inflação salta para 5 ou 6% e a Selic vai a 8 ou 9%. Game over.

Voltando para política. Ponto principal Lula não pode ser candidato.

Ponto 2, o candidato da esquerda tem que ser um “novo rosto” que não desperte a ojeriza da classe média – que está de saco cheio do Bolsonaro.

Ponto 3, é preciso um mínimo de “aggiornamento” das propostas econômicas da esquerda. Um mínimo. A centro-direita já fez o seu – preste atenção nos artigos do Armirio Fraga falando sobre educação, saúde etc.

Por último, com 400 mil mortos na pandemia, com baixo crescimento, com desemprego, com a política externa aos pedaços, com o STF na “cola” dele, com o Centrão cobrando as “notas promissórias” e o Biden no cangote, qual seria o desempenho dele num debate na televisão?

Conclusão geral: faltam vinte meses para a eleição e NADA está decidido, nem a reeleição tampouco a vitória da oposição. Lembremos Magalhães Pinto: “política é como nuvem, você olha agora está de um jeito, você olha logo depois e está de outro jeito”.


Jorge Simino Junior

*Jorge Simino Junior é economista.

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