PROTESTO

Centro-direita pede impeachment de Bolsonaro em atos esvaziados

Houve atos em São Paulo, no Rio de Janeiro, no Recife, em Belo Horizonte, Salvador, São Luís, Vitória e Manaus. Inicialmente com o lema “Nem Lula nem Bolsonaro” – os organizadores mudaram o tom da manifestação na tentativa de atrair partidos e militância de esquerda
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Manifestações organizadas pelo Movimento Brasil Livre (MBL), pelo Vem pra Rua e por partidos de centro-direita aconteceram neste domingo (12) em pelo menos oito capitais brasileiras pedindo o impeachment do presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Houve manifestações em São Paulo, no Rio de Janeiro, no Recife, em Belo Horizonte, Salvador, São Luís, Vitória e Manaus. Inicialmente com o lema “Nem Lula nem Bolsonaro” – os organizadores mudaram o tom da manifestação na tentativa de atrair partidos e militância de esquerda – mas essa adesão não aconteceu de fato neste domingo. No Rio de Janeiro foi possível ver faixas com a frase com os manifestantes.

Na manifestação de hoje, além do MBL e do Vem pra Rua, participaram o Novo, o Livres e segmentos de alguns partidos como PDT, Cidadania, Rede, PCdoB, PSB e PV. No Recife, o ato reuniu cerca de 150 pessoas com concentração na Praça do Marco Zero, no Recife Antigo. O grupo começou a se reunir um pouco depois das 13h, com faixas e bandeiras que pediam o impeachment do presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Alguns militantes e integrantes do PDT levavam faixas e adesivos onde era possível ler “Ciro 2022”.

Liderandoo ato, o MBL Pernambuco e o Livres; participando do ato também estiveram integrantes da Juventude Socialista do PDT, alguns integrantes da Rede e das setoriais de Juventude e Diversidade do Cidadania. Por volta das 14h30, os manifestantes deram início a uma pequena caminhada, com gritos de guerra pedindo o impeachment de Bolsonaro e caminharam do Marco Zero até o início da Av. Rio Branco – num percurso de cerca de 500 metros.

  • Manifestação Fora Bolsonaro organizada pelo MBL no Recife
    Manifestação Fora Bolsonaro organizada pelo MBL no Recife reuniu partidos de centro-direita na Praça do Marco Zero/Foto: Juliana Cavalcanti/Site Canal MyNews

“A gente tinha a ideia de puxar o ‘Nem Lula nem Bolsonaro’, mas a partir do 7 de setembro a gente teve um encaminhamento. A gente viu as ameaças golpistas que vinham claramente do presidente da República; então a gente relembrou o ‘Diretas Já’ e está se juntando com um único propósito. Estamos no campo democrático e o que a gente quer é o impeachment do presidente da República”, afirmou Izaque Costa, coordenador-geral do MBL Pernambuco.

Segundo Costa, entre os motivos para pedir o impeachment do presidente Jair Bolsonaro está a negligência no combate à pandemia da Covid-19. “Houve uma negligência no combate à pandemia, com uma dicotomia entre economia e saúde. A economia foi cuidada e a saúde foi negligenciada. Meio milhão de pessoas morreram. A gente precisa fazer isso enquanto cidadão”, completou.

De acordo com o coordenador do MBL, por enquanto o movimento não tem um encaminhamento sobre as eleições de 2022 e a intenção do grupo é eleger o maior número de candidatos do MBL, mas ainda não foi tratado sobre quem o partido apoiará para a presidência da República.

Segundo o vice-presidente do PDT no Recife, Rafael Bezerra, a participação na manifestação deste domingo também apontou para a existência de um segmento da sociedade que quer se posicionar em relação a uma “falsa polarização que setores da sociedade querem colocar de que ou você vota em Bolsonaro, ou você vota em Lula”. “Todas essas forças aqui presentes, com a sociedade civil, apontam para a necessidade de construção de uma outra via, que não é a terceira. O PDT, além de fazer uma resistência contra essa ofensiva antidemocrática, também quer pautar a apresentação do plano nacional de desenvolvimento, que será apresentado todo dia 12 com propostas para a construção de um projeto organizado de Brasil”, disse Bezerra.

Integrante da executiva nacional e coordenador da Rede Sustentabilidade em Pernambuco, o ex-deputado estadual Roberto Leandro disse que participou do ato no Marco Zero devido à ameaça de golpe e por entender que, apesar das divergências políticas, existe uma luta comum pela democracia. “[o presidente] Não tem tomado posição de estado contra a pandemia e tem sido um aliado do vírus. Também tem mostrado claramente a intenção de um autogolpe, se apropriando dos símbolos nacionais, com ataques ao STF. Assim como participamos do Grito dos Excluídos, no último dia 7 de setembro, estamos aqui para pedir o impeachment de Bolsonaro. Deixando as divergências de lado para focar numa luta principal”, disse.

Manifestação em São Paulo teve políticos de diversos partidos e ‘pixulecos’ de Bolsonaro e Lula

Em São Paulo, segundo a Polícia Militar, o ato reuniu cerca de 6 mil pessoas na Av. Paulista. Compareceram alguns dos políticos que devem disputar as eleições à presidência da República no próximo ano, como Ciro Gomes (PDT), Luiz Henrique Mandetta (DEM) e Alessandro Vieira (Cidadania).

Também estiveram presentes políticos de partidos de diferentes correntes, como Tábata Amaral (sem partido) – até há pouco tempo filiada ao PDT, Joice Hasselmann (PSL), Athur do Val Mamãe Falei (Patriota) e Isa Penna (Psol).

Sem consenso sobre que lema adotar, depois de terem parcialmente abandonado a ideia de encampar a frase “Nem Lula nem Bolsonaro” no ato, o protesto em São Paulo teve ainda dois bonecos infláveis (pixulecos) de Bolsonaro (usando uma camisa de força) e de Lula (vestido como um presidiário). O MBL e o Vem pra Rua foram dois dos movimentos que apoiaram abertamente o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) e a eleição de Jair Bolsonaro.

José Márcio Camargo, economista chefe da Genial, avalia o cenário político e econômico para os próximos dias, em entrevista a Mara Luquet, no MyNews Entrevista

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