O encontro entre Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump era cercado de expectativa por conta das diferenças políticas entre os dois líderes e das recentes tensões entre Brasil e Estados Unidos em temas econômicos e diplomáticos. A reunião aconteceu nesta quinta-feira (7) e marcou a primeira conversa presencial entre Lula e Trump desde o retorno do republicano à Casa Branca.
Apesar da repercussão, os presidentes não deram entrevista juntos nem fizeram uma declaração oficial após o encontro. Em uma publicação nas redes sociais, Trump afirmou que teve uma “boa conversa” com Lula, chamou o brasileiro de “presidente muito dinâmico” e disse que o principal tema discutido foram as tarifas comerciais entre os dois países. Segundo ele, novas reuniões entre integrantes dos governos devem acontecer em breve.
Depois da reunião, Lula conversou com jornalistas e negou que o PIX tenha sido discutido durante o encontro. O tema vinha sendo especulado nos bastidores por conta de um possível desconforto de empresas financeiras americanas com o sistema brasileiro de pagamentos. “Ele não falou de PIX”, afirmou o presidente. Lula também disse que Trump não demonstrou interesse em classificar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas. Segundo o brasileiro, o governo destacou ações recentes contra o crime organizado, como a operação Carbono Oculto, que investigou esquemas criminosos ligados ao mercado financeiro na Faria Lima.
Lula ainda comentou, em tom descontraído, sobre a relação construída com Trump. O presidente afirmou que muita gente não acreditava na aproximação entre os dois, mas disse que houve “amor à primeira vista” e “química” durante a conversa. Ele também revelou que entregou ao presidente americano uma lista de brasileiros impedidos de entrar nos Estados Unidos por causa da aplicação da Lei Magnitsky. Entre os nomes citados por Lula está a filha de 10 anos do ministro da Saúde, Alexandre Padilha.
Sobre as eleições de 2026, Lula afirmou que o assunto não foi tratado durante o encontro e descartou qualquer tentativa de interferência de Trump no processo eleitoral brasileiro. “Quando ele tentou interferir em 2022, ele perdeu”, disse o presidente. Lula afirmou ainda que acredita que Trump “gosta do Brasil” e que não vê sinais de influência americana nas próximas eleições.
