Saúde

Projeto de lei de maconha medicinal pode baratear tratamento em até 10 vezes, diz deputado

Autor do projeto, o deputado Fábio Mitidieri destaca que a iniciativa pode ampliar acesso a medicamentos caros e importados
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O deputado federal Fábio Mitidieri (PSD-SE) é o autor da proposta de uso medicinal de maconha no Brasil. Em entrevista ao MyNews, o congressita fala sobre a aprovação do texto-base do projeto em comissão da Câmara, os argumentos das bancadas governistas e evangélica para tentarem barrar a iniciativa e como o medicamento pode beneficiar pessoas com problemas neurológicos.

Nesta terça-feira (9), foi aprovado em uma comissão especial da Câmara dos Deputados, o texto-base que autoriza o cultivo e produção de maconha no Brasil para uso medicinal. A votação ficou empatada e coube ao relator da comissão, Luciano Ducci (PSB-PR), desempatar.

“Nosso projeto é baseado em três vertentes muito claras, o uso medicinal, que todos dizem ser favoráveis, o uso para pesquisas, que também não vejo nenhum tipo de objeção e uso industrial, é aí onde entra toda essa polêmica, porque uso industrial, quem é oposicionista, diz que nós estamos liberando a maconha no Brasil”, explica Mitidieri.

Para o uso industrial, seria usada uma planta considerada “prima” da maconha, o cânhamo, planta composta por muitas fibras, usada em vários países na indústria têxtil, de cosméticos, veterinária, entre outros. Ela não tem efeito alucinógeno e para cultivá-la, o controle seria feito com autorização da Anvisa, do Ministério da Agricultura e fiscalização da Polícia Federal.

“O projeto não trata de liberação de maconha para uso recreativo em momento algum. O cânhamo movimenta 64 bilhões de dólares por ano no mundo e o Brasil vai poder gerar emprego e renda com a planta natural que não tem efeito alucinógeno, então não entendo porque essa narrativa”, avalia Mitidieri.

O projeto ainda precisa ser aprovado pelo plenário da Câmara e do Senado. O presidente Jair Bolsonaro (sem partido), todavia, já afirmou que irá vetar a iniciativa.

“Essa pauta não é de esquerda ou direita, podemos ver os votos que nós tivemos lá de partidos de centro, partidos de direita e partidos de esquerda, as pessoas que estão ali têm seu mandato, a grande maioria têm uma responsabilidade com seu povo e com a sociedade brasileira e consegue compreender que nós não estamos fazendo levantamento de bandeira de algum lado e nem muito menos de apologia à maconha. Eu nunca usei um cigarro de maconha na minha vida, nunca fumei nada, estou aqui defendendo a vida e eu vejo essa retórica muito frágil, ela não vai prevalecer em plenário”, argumenta o deputado federal.

Atualmente, já existem pesquisas de que medicamentos à base de canabidiol, componente da maconha, podem ajudar pessoas com problemas neurológicos, como Alzheimer, Parkinson, epilepsia por exemplo. Mitidieri comenta que quem conseguiu autorização para usar esse tipo de medicamento paga atualmente cerca de R$ 3 mil por caixa do medicamento. Se fabricado no Brasil, esse valor cai e fica entre R$200 e R$ 300 e ainda poderia ser distribuído pelo SUS. “É uma série de benefícios que a gente espera que a verdade e o amor ao próximo possam vencer uma fake news, o preconceito”.

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