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Para Beny Fard, analista de geopolítica e macroeconomia, presidente americano atua para preservar a hegemonia dos Estados Unidos em um cenário marcado pela ascensão da China e pela retomada da relevância da Rússia
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, se consolidou como um elemento de desestabilização da ordem geopolítica mundial, mas sua atuação precisa ser analisada dentro de um contexto histórico mais amplo. Para Beny Fard, analista de geopolítica e macroeconomia, as ações do republicano fazem parte de uma estratégia voltada à preservação da influência americana em um cenário internacional cada vez mais marcado pela disputa entre Estados Unidos, Rússia e China.
Segundo Fard, os Estados Unidos assumiram, após a Segunda Guerra Mundial, um papel central na reconstrução da Europa, da Alemanha e do Japão e passaram a liderar uma ordem internacional baseada no capitalismo, no liberalismo e nas instituições multilaterais. Esse período, associado à chamada Pax Americana, proporcionou décadas de relativa estabilidade e expansão econômica. Na avaliação do analista, apesar dos erros cometidos por Washington ao longo desse processo, a influência americana contribuiu para a expansão do acesso a bens, capital e oportunidades em diversas partes do mundo.
Esse modelo, porém, enfrenta uma transformação profunda. Com o fim da Guerra Fria e a ascensão da China como potência econômica e estratégica, o mundo passou de uma lógica predominantemente bipolar para uma disputa cada vez mais tripolar. Nesse cenário, Fard afirma que Trump utiliza diferentes instrumentos de pressão — das tarifas comerciais à retórica política e às intervenções militares — para recuperar espaço e reforçar alianças consideradas estratégicas para os interesses americanos. O analista também relaciona a postura do presidente à tradição da política externa dos Estados Unidos e à tentativa de reafirmar sua posição de liderança global.
A estratégia, segundo Fard, busca preservar a influência americana em áreas consideradas fundamentais, como as Américas, a Europa e o Oriente Médio. Trump combina pressão sobre aliados, contenção de adversários e busca por recursos e energia para sustentar a posição dos Estados Unidos no novo tabuleiro internacional. Dessa forma, para o analista, sua política externa não representa apenas uma ruptura com o passado, mas uma tentativa agressiva de adaptar a hegemonia americana a uma realidade na qual Washington já não atua sozinho como principal centro de poder.