Arquivos João Dória - Canal MyNews – Jornalismo Independente https://canalmynews.com.br/tag/joao-doria-2/ Nosso papel como veículo de jornalismo é ampliar o debate, dar contexto e informação de qualidade para você tomar sempre a melhor decisão. MyNews, jornalismo independente. Wed, 19 Oct 2022 15:26:14 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.7.2 Ex-governador de São Paulo João Doria anuncia desfiliação do PSDB https://canalmynews.com.br/politica/ex-governador-de-sao-paulo-joao-doria-anuncia-desfiliacao-do-psdb/ Wed, 19 Oct 2022 15:26:14 +0000 https://canalmynews.com.br/?p=34340 No Twitter, o ex-tucano disse que encerra a etapa “de cabeça erguida”.

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O ex-governador de São Paulo João Doria anunciou nesta quarta-feira (19) sua desfiliação do PSDB, após 22 anos no partido. Na rede social, o ex-tucano disse que encerra a etapa “de cabeça erguida”.

“Inspirado na social-democracia e em nomes como Franco Montoro, Mário Covas, José Serra e Fernando Henrique Cardoso, cumpri minha missão político-partidária pautado na excelência da gestão pública e em uma sociedade mais justa e menos desigual.

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Com minha missão cumprida, deixo meu agradecimento e o firme desejo de que o PSDB tenha olhar atento ao seu grandioso passado, em busca de inspiração para o futuro. E sempre em defesa da democracia, da liberdade e do progresso social do Brasil”, disse em sua conta no Twitter.

Doria disse ainda que tem orgulho da contribuição que pôde dar a São Paulo e ao Brasil, “graças à generosidade e à confiança de todos aqueles que optaram pelo meu nome em três prévias e duas eleições”.

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Devemos chorar a morte dos tucanos https://canalmynews.com.br/voce-colunista/devemos-chorar-a-morte-dos-tucanos/ Fri, 01 Jul 2022 12:58:43 +0000 https://canalmynews.com.br/?p=31010 Os tucanos  morreram. Nunca simpatizei com eles. Mas estão fazendo falta. Nunca adivinharia que sem eles a própria democracia corre risco de morte.

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Infelizmente os tucanos morreram. Talvez o PSDB sobreviva enquanto sigla, talvez até volte a ter a importância que teve, mas os tucanos morreram. E mesmo nunca tendo simpatia por eles, só posso lamentar esta morte.

O PSDB começa como uma dissidência do PMDB. Ou talvez como um resgate ao verdadeiro PMDB. Herdeiro do MDB da época da ditadura, o PMDB deveria representar a linha de esquerda democrática que tentou, dentro dos seus limites, ser a oposição oficial ao ditatorial Arena. Naquela época ainda estávamos em plena Guerra Fria, e ser uma esquerda democrática significava defender um estado de bem estar social nos modelos europeus, a famosa Social Democracia que acabou dando nome ao PSDB.

Mas durante a Assembléia Constituinte de de 1987 o PMDB acabou por se aliar ao “Centro Democrático”, o germe do que hoje chamamos de Centrão. Era nada mais nada menos que a ala civil da direita conservadora da época, que tentava impedir que a nossa Constituição fosse moldada demais a esquerda. O PMDB, quem diria, tinha se juntado aos conservadores.

É neste momento que o PSDB surge. Tentando ocupar o espaço entre a direita civil democrática e a esquerda trabalhista e sindicalista representada por Brizola e Lula, que flertava com um misto de marxismo cubano, teologia da libertação e trabalhismo sindical.

Mas o destino reservava outro papel para os tucanos. Apesar da enfervescência política da redemocratização, havia um problema que praticamente sequestrava o debate político: a inflação. Vários planos econômicos bastante heterodoxos foram tentados, desde o congelamento de preços até o sequestro dos investimentos dos cidadãos. E a inflação continuava monstruosa.

Com o impedimento de Collor, seu vice, Itamar, une uma equipe de economistas liberais para tentar um choque mais ortodoxo, apesar de moderno. E assim nasce o Plano Real. Sob a coordenação do Ministro da Fazenda Fernando Henrique Cardoso, um tucano, o PSDB recebe os louros de conseguir estabilizar a moeda brasileira.

E devido a característica liberal na economia do Plano Real, os tucanos acabaram por caminhar levemente a direita. E assim surge a primeira polarização da Nova República, com o PT ocupando o campo da esquerda e o PSDB o da direita. E este paradigma perdurou quase 30 anos. Tucanos viraram aves que defendiam um estado pequeno, eficiente, e austero na questão fiscal. Apesar de muito longe da perfeição, foi uma receita de tanto sucesso que Lula teve que se tucanizar com a Carta ao Povo Brasileiro para conseguir ser eleito e tirar o PSDB do poder.

Toda esta rememorização foi para lembrarmos como os tucanos foram importantes para se criar as bases da atual democracia brasileira, fortificando o discurso majoritário dos economistas, empresários e analistas da mídia brasileira, que perdura até hoje.

Mas eles morreram. Morreram principalmente porque apesar de terem conquistado o pensamento do mercado, não conseguiram manter contato com as bases populares. O liberalismo a moda tucana pode ter comovido o mercado, mas falhou em reduzir as desigualdades brasileiras e conquistar o coração do povo.

No momento em que seus rivais PTistas começaram a perder o controle de seu próprio governo, os tucanos eram  tidos comos seus sucessores naturais. Afinal desde 1994 o Brasil era governado por ou tucanos ou PTistas. Mas infelizmente não foi o que ocorreu. E a morte tucana começa com a disputadíssima eleição de 2014.

Até então o debate político brasileiro era entre uma direita que afirmava que o equilíbrio econômico deveria ser a questão prioritária, e uma esquerda que aceitava um pouco mais de gastos do governo em troca de programas sociais mais amplos. Ou, de outra forma, a direita dizia que a esquerda era composta de administradores irresponsáveis, e a esquerda acusava a direita de serem economistas que não se importavam com a pobreza.

Em 2014 o debate se tornou mais virulento. As acusações morais ganharam o centro do debate. E de repente os políticos deixaram de ser ver como rivais, e passaram a se ver como inimigos. Agora ambos acusavam o outro lado se serem canalhas, ladrões, traidores da pátria.

E após as urnas darem uma vitória apertadissíma para Dilma, o já não tão tucano Aécio Neves recusa a aceitar o resultado das urnas e pede recontagem. Era o início de um novo PSDB. Um PSDB raivoso, moralista, acusatório. Não que fosse unilateral. O PT também passou a rosnar até para o próprio rabo. Mas a decisão destacar as instituições eleitorais por raiva política abriu um triste precedente.

Tudo continua piorando até o impeachment de Dilma. Diferentemente do impeachment de Collor, que uniu a classe política brasileira, a saída de Dilma criou um fosso intransponível, e todos começaram a cavar trincheiras para uma luta de morte. Mas havia uma grande diferença entre o PT e o PSDB. O PT manteve suas bases com o sindicalismo, o movimento estudantil, o MST, etc. Já o PSDB estava presente apenas no mundo político.

Quando o ódio político se torna o centro do debate, os tucanos se viram alvo do ódio que esperavam que o apoiassem. Se por um momento Lula tinha se tucanizado, agora para a turba enfurecida o PSDB se tornou demasiadamente parecido com o PT.

A tentativa de renovação com nomes como Doria fracassou. Eram PSDBistas sem a cor e o tamanho dos bicos tucanos. Fenômenos como o olavismo e o bolsonarismo se tornaram enormes. E mesmo o liberalismo, carro chefe dos tucanos, acabou sequestrado por pseudo-liberais como o MBL.

Os tucanos morreram. E com eles, a direita democrática brasileira. O que sobrou foi a direita fisiológica, e a extrema direita. A direita que se alia a qualquer governo que não mude as estruturas econômicas brasileiras, e o protofascismo que acredita que a liberdade dos cidadãos de bem deve ser imposta as custas de piorar as desigualdades dos marginalizados e excluídos. Que qualquer luta de diminuir as desigualdades é na verdade pedido de privilégios. E que os conservadores precisam impedir isto a força.

Neste cenário sem uma direita moderada, tudo o que não é aliado da extrema direita parece comunismo. Num cenário desequilibrado como este, não existe debate político, apenas combate. E com isto o Brasil vai morrendo.

Os tucanos  morreram. Nunca simpatizei com eles. Mas estão fazendo falta. Nunca adivinharia que sem eles a própria democracia corre risco de morte.

*As opiniões das colunas são de responsabilidade do autor e não refletem necessariamente a visão do Canal MyNews

Quem é Aniello Olinto Guimarães Greco Junior?

Servidor público concursado do Tribunal Superior do Trabalho, Aniello Greco passou tempo demais na universidade, sem obter diploma. Já fingiu ser jogador de xadrez, de poker, crítico de cinema, sommelier de cerveja. Sabe de quase tudo um pouco, e quase tudo mal.

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Com desistência de Doria, PSDB queima R$ 12 milhões das prévias https://canalmynews.com.br/sem-categoria/com-desistencia-de-doria-psdb-queima-r-12-milhoes-das-previas/ Tue, 24 May 2022 15:30:16 +0000 https://canalmynews.com.br/?p=28635 O PSDB realizou prévias em novembro de 2021. Doria ganhou, mas não levou.

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O PSDB foi o único partido que realizou prévias para escolher seu pré-candidato à Presidência. As prévias ocorreram em novembro de 2021. Doria venceu com quase 54% dos votos, derrotando Eduardo Leite. Esses são os fatos.

Doria anunciou nesta segunda (23) sua desistência da corrida eleitoral. Com isso, o PSDB jogou no lixo as prévias, que custaram, segundo o próprio partido, mais de R$ 12 milhões.

Segundo os tucanos, as prévias envolveram nove meses de trabalho, incluindo “mobilização da militância, cadastramento de filiados, viagens dos pré-candidatos a todas as regiões do Brasil, debates internos e externos amplamente divulgados, articulações com a Justiça Eleitoral e a realização de um evento que reuniu em Brasília mais de 700 mandatários tucanos de todo o país”.

Doria ganhou, mas não levou. Mesmo depois de sua vitória, foi abertamente sabotado por colegas de partido, como Eduardo Leite, Aécio Neves e o presidente nacional do PSDB, Bruno Araújo.

Eduardo Leite continuou se apresentando por vários meses como pré-candidato, mesmo derrotado por Doria. Em 31 de março, ao renunciar ao governo do Rio Grande do Sul, disse: “Como eu já disse, eu não saio. Eu me apresento”. Na verdade, Leite já havia se apresentado no ano passado. Se apresentou e perdeu para Doria. Só aceitou a derrota em abril, quando publicou uma carta intitulada “Um Só Rio Grande, Um Só Brasil, Um Só PSDB”.

Aécio Neves sugeriu publicamente que Doria deveria desistir. Na terça passada (17), disse, diante das câmeras: “O governador João Doria, que é o candidato que venceu as prévias contra a minha vontade e contra o meu trabalho (…)”.

Como se o raciocínio não devesse ser o contrário: apesar de seu candidato ter sido derrotado, caberia a Aécio respeitar o resultado.

Bruno Araújo expressou alívio quando deixou a função de coordenador da campanha de Doria. “Ufa!”, escreveu no Twitter. “Comando que nunca fiz questão de exercer. Aliás, ele sabe as circunstâncias em que e o porque “aceitei” à época. Aliás, objetivo cumprido!”. Araújo ainda não esclareceu quais “circunstâncias” foram essas.

Aécio disse que a candidatura de Doria traria “prejuízos” ao partido. É possível. O principal critério para a distribuição do fundão eleitoral é a eleição de deputados federais. Destinar dinheiro para uma campanha presidencial significa menos dinheiro para as campanhas de candidatos a deputados, entre elas, muito provavelmente, a do próprio Aécio.

Aécio não considerou “prejuízo” o partido torrar R$ 12 milhões em prévias para ficar sem candidato.

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João Doria desiste de candidatura à Presidência da República https://canalmynews.com.br/politica/joao-doria-desiste-de-candidatura-a-presidencia-da-republica/ Mon, 23 May 2022 15:22:23 +0000 https://canalmynews.com.br/?p=28616 Ex-governador de São Paulo anunciou nesta segunda-feira (23) que desistiu de disputar o cargo de presidente do país.

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O ex-governador de São Paulo, João Doria (PSDB), retirou sua pré-candidatura à presidência da República. Em pronunciamento no início da tarde desta segunda-feira (23), Doria afirmou que entende que não é a escolha da cúpula do seu partido e que “aceita essa realidade de cabeça erguida”.

“Me retiro da disputa com o coração ferido, mas com a alma leve”, disse Doria após se reunir com a cúpula do PSDB. O partido, junto ao MDB e Cidadania, forma um bloco para lançar uma candidatura única de “terceira via”.

Em sua fala, Doria reiterou o compromisso pela formação de um bloco político para tentar derrotar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente Jair Bolsonaro (PL). “O Brasil precisa de uma alternativa para os eleitores que não querem os extremos”.

Em novembro de 2021, Doria foi escolhido como pré-candidato à presidência nas prévias do PSDB. Na ocasião, ele superou Eduardo Leite, ex-governador do Rio Grande do Sul, e Arthur Virgílio Neto, ex-prefeito de Manaus.

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Muito barulho por nada: crise no PSDB acaba em abraços e beijos, mas acabou mesmo? https://canalmynews.com.br/paulo-totti/muito-barulho-por-nada-crise-no-psdb-acaba-em-abracos-e-beijos-mas-acabou-mesmo/ Tue, 05 Apr 2022 13:59:06 +0000 https://canalmynews.com.br/?p=27233 João Doria (PSBD) acabou por deixar o governo de São Paulo para disputar as eleições presidenciais de 2022. Decisão foi precedida de crise dentro do partido tucano.

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Na mais bem humorada de suas peças, “Much ado about nothing”, William Shakespeare conta a história de amor e intriga, de Claudio, Hero, Beatriz, Dom Pedro e Dom João, que depois de tantas paixões, mentiras e traições, acaba tudo bem e a vida recomeça sem mais novidades como dantes, em Messina, na Sicília de 1599.  Se o bardo vivesse em nossos dias e estivesse em São Paulo, poderia escrever para o Netflix “Muito barulho por nada II”, uma série baseada no que viu e ouviu no auditório do Palácio do Morumbi.

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A quinta-feira (1°), antepenúltimo dia para se fechar a janela partidária e encerrar-se o prazo das desincompatibilizações, começou com previsões de tormentas políticas capazes de provocar mudanças no panorama eleitoral do país e implodir de vez o partido que desde 1995 monopoliza o poder na pauliceia, o PSDB.

Já pela madrugada noticia-se que João Dória desiste de ser candidato à presidência da república e pretende continuar governador até o final de seu mandato, em janeiro de 2023. O vice-governador Rodrigo Garcia considera-se traído pois tinha a promessa de assumir agora o governo e candidatar-se à reeleição em 2 de outubro. Garcia, pede demissão do cargo de secretário de Governo, que teria mesmo que abandonar dois dias depois, e anuncia que vai se mudar para o União Brasil.

Ao meio-dia a crise está instalada. Dória é que se sente vítima de uma traição generalizada: o governador gaúcho, Eduardo Leite, a quem Dória derrotou (54% x 44%) em prévia realizada em 2021, declara que o resultado da consulta que custou R$ 10 milhões ao fundo partidário, não é uma corrente que amarra o partido ante novos  desafios e soluções.

O senador Tasso Jereissati e o deputado Aécio Neves aconselham Leite a recusar o convite de Gilberto Kassab para ser presidenciável pelo PSD e continuar tucano, pois até a convenção o PSDB perceberá que Dória não cresce nas pesquisas.  O presidente do partido, deputado Bruno Araújo, dá entrevista em que subscreve que o resultado da consulta de 27 de novembro do ano passado pode ser revogado pela convenção em julho.

Governador do Rio Grande do Sul Eduardo Leite, que decidiu ficar no PSDB. Crédito: Itamar Aguiar (Palácio Piratini)

O vice-governador Rodrigo Garcia, que Dória trouxe do DEM para ser candidato à sua sucessão pelo PSDB, dá sinais de que, empossado no Morumbi, vai cuidar de sua própria candidatura e deixar Dória sozinho (Dória fez isso com Geraldo Alckmin na eleição de 2018, uma traição que o levou a apoiar Jair Bolsonaro). Candidatos do PSDB ao governo em outros estados não se entusiasmam com a candidatura presidencial de Dória e a Globonews informa que Raquel Lyra, de Pernambuco, recusa aparecer em fotos ao lado do governador paulista.

Pouco depois do meio-dia, o presidente do PSDB distribui nota de dois parágrafos em que afirma ser Dória o candidato do partido e que a consulta será respeitada, como convém a uma agremiação política que se preza e com lideranças de moral ilibada.

O governador e o vice se reúnem, a sós, por três horas e reaparecem aos abraços – houve beijos também – no auditório do palácio quase às 17 horas.  Segundo Dória, estão presentes 619 prefeitos dos 645 municípios de São Paulo. Dória discursa, lembra o pai, perseguido e exilado pela ditadura militar, faz um balanço (bom, reconheça-se) do seu governo, ergue o braço de Bruno Araújo (constrangido, percebe-se), e  brada à multidão de  funcionários do palácio e assessores de João e Rodrigo que a luta continua e que ambos vão ganhar as eleições que se avizinham. Tudo acaba em roda de samba e Dória sai nos ombros de assessores entusiasmados.

No mesmo dia, enquanto Jair Bolsonaro fazia seu comício na despedida dos ministros e secretários que disputarão eleição, e as forças armadas divulgavam manifesto que atribui propósitos democráticos e civilizatórios ao golpe civil-militar de 1964, Sérgio Moro desiste da candidatura presidencial pelo Podemos, muda de domicílio eleitoral para São Paulo e se declara soldado do União Brasil, o partido saído da fusão do DEM com o PSL. ACM Neto e Ronaldo Caiado declaram em nota que o ex-juiz é bem-vindo mas, como diria Romário, não dá para entrar no ônibus e querer, de cara, lugar na janelinha.

Cai a noite e a impressão que deixou entre os  observadores é que convém aguardar o próximo Datafolha para saber se Dória aparece com mais de 3%. E Eduardo Leite, mantido na lista por precaução, com mais de 2%.

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Doria deixa governo de São Paulo e mantém candidatura à presidência https://canalmynews.com.br/politica/doria-deixa-governo-de-sao-paulo-e-mantem-candidatura-a-presidencia/ Thu, 31 Mar 2022 19:57:59 +0000 https://canalmynews.com.br/?p=27143 João Doria anunciou saída do governo paulista em coletiva de imprensa nesta quinta-feira (31). Ele disputa a eleições presidenciais de 2022.

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Após uma suposta desistência em relação à candidatura ao Palácio do Planalto, João Doria (PSDB) anunciou, na tarde desta quinta-feira (31), sua saída do governo do estado de São Paulo. Com esse movimento, Doria reafirmou sua pré-candidatura à presidência da República.

Durante um evento no Palácio dos Bandeirantes, que marcou a renúncia de Doria, o secretário do Desenvolvimento Regional, Marco Vinholi, se referiu ao governador como “o futuro presidente do Brasil”. A confirmação veio após a publicação de notícias que afirmavam que o ex-candidato havia sinalizado a desistência em um jantar com amigos, empresários, secretários e aliados que aconteceu na quarta-feira (30).

Após a divulgação da suposta desistência de Doria, o presidente nacional do PSDB, Bruno Araújo, afirmou divulgou uma nota afirmando que o candidato partido à presidência da República é o governador de São Paulo. A nota reitera que Doria foi “escolhido democraticamente em prévias nacionais realizadas em novembro de 2021”.

“As prévias serão respeitadas pelo partido. O governador tem a legenda para disputar a presidência da República. E não há, nem haverá qualquer contestação à legitimidade de sua candidatura pelo partido”, diz a nota assinada por Bruno Araújo.

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Fernando Haddad seria ideal no Ministério da Cultura https://canalmynews.com.br/bruno-cavalcanti/candidato-ao-governo-de-sao-paulo-fernando-haddad-seria-ideal-no-ministerio-da-cultura/ https://canalmynews.com.br/bruno-cavalcanti/candidato-ao-governo-de-sao-paulo-fernando-haddad-seria-ideal-no-ministerio-da-cultura/#respond Thu, 17 Mar 2022 13:51:38 +0000 https://canalmynews.com.br/?p=26646 É de se questionar desejo do PT e do petista por um mandato no Palácio dos Bandeirantes.

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Pouco menos de um ano após perder a eleição para a presidência da república num segundo turno conturbado com Jair Messias Bolsonaro (PL), o petista Fernando Haddad compareceu como um dos convidados de honra à reestreia da peça “A Profissão da Senhora Warren”, do irlandês George Bernard Shaw (1856-1950), no Teatro Aliança Francesa, em São Paulo.

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A produção fazia parte do projeto “2X SHAW”, que relembrava os 70 anos da morte do dramaturgo com a apresentação de dois títulos de sua obra: “Senhora Warren” e “A Milionária”. O evento foi idealizado pela pesquisadora e doutora Rosalie Rahal Haddad, especialista na obra do irlandês.

Ao fim do espetáculo, numa entrevista para compor o material de divulgação do projeto, o ex-prefeito da capital não apenas teceu elogios à montagem dirigida por Marco Antônio Pâmio e estrelada por nomes como Clara Carvalho, Karen Coelho, Sérgio Mastropasqua, Cláudio Curi, Caetano O’Maihlan e Mário Borges, como se mostrou um grande conhecedor da obra de Shaw, citando títulos, anos e temas que compunham suas criações.

Em meio ao coquetel de estreia (bancado sem dinheiro público), uma atriz comentou, com um ar de melancolia, a quem quisesse ouvir: “imagina só, um presidente que vai ao teatro”. Diferente de Haddad, Jair Bolsonaro não foi ao teatro. Nem durante os quatro anos que esteve à frente da Presidência da República, tampouco durante os 27 que esteve em evidência como deputado federal pelas polêmicas que protagonizou com o aval de programas como o CQC e o Pânico na TV.

Bolsonaro não foi nem mesmo às peças de seus Secretários da Cultura, o diretor Roberto Alvim e a atriz Regina Duarte (o atual, Mário Frias, não construiu carreira nos palcos), ou de apoiadores como Carlos Vereza e Davi Cardoso Jr. (mas, na deste último, nem Fernando Haddad deve ter ido).

O presidente Jair Bolsonaro ao lado da atriz e antiga secretária especial da Cultura do Ministério do Turismo, Regina Duarte. Foto: Foto: Antonio Cruz (Agência Brasil)

O fato é que Haddad sempre teve relações estreitas com o mercado cultural. Já derrotado, em dezembro de 2018, foi ovacionado ao comparecer ao show de Milton Nascimento no Sesc Pinheiros, em São Paulo, e mesmo enquanto prefeito conseguiu diálogo profícuo com a classe artística – ainda que, durante seus quatro anos à frente de São Paulo, tenha minguado projetos importantes, como o que levava shows e grandes espetáculos aos palcos dos Centros Educacionais Unificados (CEUs) nas periferias da cidade.

Contudo, sua gestão foi positiva. À frente da Secretaria Municipal da Cultura, o prefeito empossou nomes como Juca Ferreira (que deixou o cargo para assumir o Ministério da Cultura no governo de Dilma Rousseff), o arquiteto e urbanista Nabil Bonduki, ainda hoje elogiado pelo setor, e Maria do Rosário Ramalho, além de ampliar projetos como o do Programa para a Valorização de Iniciativas Culturais (VAI) e buscou descentralizar o acesso à cultura com série de eventos em espaços da periferia e a reformas de teatros da máquina pública.

Sua gestão como prefeito, entretanto, foi repleta de senões e ações que afundaram ainda mais sua já baixa popularidade. Haddad é habilidoso enquanto figura técnica, mas nem sempre consegue se impor como político apto ao jogo das narrativas. 

Haddad político

Embora tenha ganhado projeção nacional ao abocanhar um segundo turno nas eleições federais de 2018, sua derrota para Bolsonaro não fez bem para sua imagem (embora, verdade seja dita, o candidato tenha sido usado como bode expiatório do antipetismo vigente). Sua acachapante derrota para João Dória no segundo turno das eleições municipais de 2016, ainda em primeiro turno, também não fez bem à sua imagem.

É de se questionar, portanto, se o PT faz bem em insistir em sua candidatura ao governo do Estado de São Paulo. Ainda que surja como nome de raro favoritismo ao cargo, disputando apenas com Márcio França (PSB) o primeiro lugar nas pesquisas, nada é garantido. O petista tem nomes como o ministro de Bolsonaro, Tarcísio de Freitas (Sem Partido), e o vice-governador Rodrigo Garcia (PSDB) no encalço pelo segundo lugar caso França de fato tire sua candidatura (o que não está nos planos do ex-governador, mas também não deixa de ser uma possibilidade).

Fernando Haddad ao lado de sua esposa Ana Estela Haddad, durante eleição presidencial de 2018. Foto: Rovena Rosa (Agência Brasil)

Haddad talvez tenha mais contras do que efetivamente prós ao se lançar candidato a uma praça que nunca elegeu o Partido dos Trabalhadores ao Palácio dos Bandeirantes. Um deles é o desgaste de ser um dos políticos petistas mais populares e mais derrotado nas eleições. Ainda que Lula tenha perdido nada menos do que três eleições federais, foi o presidente mais popular do Brasil, além de ser líder nas intenções de voto para um possível terceiro mandato. Haddad não goza da mesma popularidade.

Seu franco favoritismo nas pesquisas é fruto inegável da projeção alcançada em 2018 graças ao pleito federal e, mesmo que pareça sólido, pode derreter. Então uma nova derrota para o petista após despontar tão bem na corrida eleitoral pode ser um desgaste ainda maior, assim como um possível governo pode perder muito sem um apoio maciço na Assembléia Legislativa de São Paulo (Alesp) – cenário que ainda se desenhará.

É compreensível que o PT queira Haddad na linha de frente do governo de um dos estados mais ricos do Brasil, ainda mais tendo em vista a possível eleição de Lula ao governo federal, mas, perguntar não ofende, com tantas possibilidades contra, o que faz Haddad aceitar o desgaste?

Um ministério para Haddad

Num possível governo Lula, talvez Haddad fizesse bem em assumir um ministério. E, levando em conta a necessidade que o governo federal terá de reestruturar o campo da cultura, o nome do ex-prefeito (e ex-Ministro da Educação) talvez surta efeito, uma vez que seu diálogo com o setor cultural é profícuo e fluido. Haddad conhece de política cultural e, o mais importante, não se priva de aprender quando necessário.

A ideia de Lula de criar um comitê para a cultura junto à reconfiguração do Ministério, vai necessitar uma figura menos sisuda que a de Juca Ferreira (2008-2010 e 2015-2016), mais enérgica que a de Anna de Hollanda (2011-2012) e mais enturmada com as múltiplas linguagens culturais que Marta Suplicy (2012-2014), os três principais nomes à frente da pasta no governo de Dilma Rousseff (PT).

Haddad talvez não tenha o perfil agregador e multicultural de Gilberto Gil (2003-2008), entretanto é figura técnica que pode compreender e dar vazão às necessidades da pasta que vai enfrentar seu maior desafio desde que foi criada em 1985 à época da redemocratização durante o governo de José Sarney: o de frear e reverter o desmonte promovido nos últimos quatro anos de governo Bolsonaro e, acima de tudo, aprofundado na desastrosa gestão Mário Frias.

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Privatização da Petrobras: o que pensam os candidatos à presidência? https://canalmynews.com.br/economia/privatizacao-da-petrobras-o-que-pensam-os-candidatos-a-presidencia/ Mon, 14 Feb 2022 23:52:12 +0000 https://canalmynews.com.br/?p=23862 Em ano de eleição, o debate acerca da possibilidade de repassar a petrolífera para o setor privado é reanimado. Da venda imediata à interferência na política de preços, os presidenciáveis se dividem quanto à privatização

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Ano eleitoral que se preze tem os principais candidatos à presidência manifestando suas posições em relação à privatização da Petrobras. Desde 1989, ano que marcou o retorno democrático brasileiro, não se passou nenhum pleito presidencial sem que o assunto entrasse na pauta de campanhas e debates.

Fundada pelo então presidente Getúlio Vargas em 1953, a Petrobras atravessou décadas sendo configurada como uma empresa exclusivamente estatal. Com o lançamento do IPO de PETR3 no ano 2000, chegou à Bolsa de Valores e se transformou, então, em uma companhia de economia mista.

Getúlio Vargas mostra a mão suja de petróleo

Getúlio Vargas mostra a mão suja de petróleo. Foto: Reprodução (Alesp)

No entanto, o fator que mais se modificou com o passar dos anos é a parcela de representantes públicos em posição de destaque defendendo que a petrolífera seja totalmente alienada à iniciativa privada.

Atualmente, o preço dos combustíveis, por exemplo, tem gerado fortes cobranças ao presidente Jair Bolsonaro (PL), devido ao impacto direto no bolso dos consumidores. A Petrobras – e não poderia ser diferente – é parte significativa desse cenário, tendo em vista que uma generosa fatia do preço dos derivados do petróleo, como a gasolina e o diesel, é destinada à companhia. Em meio a uma conjuntura mundial de elevação do barril de petróleo (que já ultrapassa a casa dos US$ 95 dólares, tanto o Brent como o WTI) e de caça ao dragão da inflação – e no Brasil acresce-se as eleições –, como é que se posicionam os principais nomes da política nacional que objetivam o mais alto cargo do Executivo quando o assunto é privatizar a Petrobras?

 

Jair Bolsonaro

Começamos pelo atual mandatário: Jair Bolsonaro (PL). O presidente já fez diversas afirmações diversas em relação à privatização da Petrobras, algumas um tanto quanto polêmicas…

Em 2018, ainda como pré-candidato, Bolsonaro confirmou a possibilidade de privatização da petrolífera, mas deixava claro que era “pessoalmente contra”. Na ocasião, disse entender a presença estratégica da empresa, o que fazia com que o então candidato não tivesse a intenção de privatizá-la: “esse é o sentimento meu”.

Ao longo do mandato, no entanto, o discurso tomou outra direção, e o desejo de repassar a Petrobras para a esfera privada ficou cada vez mais evidente – inclusive por intermédio da pasta econômica, chefiada por Paulo Guedes.

Em 2021, o presidente confirmou diversas vezes o objetivo, falando até mesmo sobre sua pretensão em revisar a política de preços da estatal.

Após os últimos aumentos no preço dos combustíveis, Bolsonaro afirmou que, “se pudesse, ficaria livre da Petrobras”.

 

Lula

Luiz Inácio Lula da Silva (PT) já afirmou e reafirmou que, caso eleito, pretende intervir na política de preços da Petrobras. Vale ressaltar que o denominado Preço de Paridade de Importação (PPI) foi instituído pela companhia em 2016, e prevê que os preços cobrados pela petroleira no mercado interno acompanhem as variações do mercado internacional, em dólar – inclusive, essa é uma das principais razões para o aumento dos combustíveis, já que a moeda estadunidense, assim como o barril de petróleo, está em alta.

Lula recentemente afirmou que, como promessa eleitoral, não manterá os preços vinculados ao mercado internacional.

“Nós não vamos manter o preço dolarizado. Eu acho que os acionistas de Nova York, os acionistas do Brasil, têm direito de receber dividendos quando a Petrobras der lucro, mas é importante que a gente saiba que a Petrobras tem que cuidar do povo brasileiro”, afirmou.

 

Ciro Gomes

Ciro Gomes (PDT) já criticou os lucros da Petrobras dizendo que os números positivos da estatal, devido seu passado cercado por escândalos de corrupção, eram como “um tapa na cara de cada brasileiro e uma apunhalada profunda no coração dos mais pobres”.

O pré-candidato, contudo, é contra uma possível privatização da estatal: “Temos, sim, que tomá-la de volta e colocá-la no seu verdadeiro rumo, que é o de gerar riqueza e bem-estar ao povo brasileiro”, confirmou à imprensa.

Em uma entrevista em 2018, quando questionado sobre uma possível privatização da Petrobras por parte do governo Bolsonaro, Ciro foi categórico ao dizer que a tomaria de volta “com as devidas indenizações”.

 

Sergio Moro

Na sequência temos Sergio Moro (Podemos). O ex-juiz já defendeu privatizar não só a Petrobras como de “todas as estatais”.

De acordo com uma reportagem veiculada pelo jornal ‘Folha de S.Paulo’, Moro considera a petrolífera “uma empresa atrasada”, pois ainda vive da exploração de petróleo — segundo o candidato, a exploração deve ser abandonado em prol de fontes de energia limpa.

No ano passado, Moro havia dito à imprensa que não era possível “fazer uma afirmação categórica” a respeito dessa pauta, mas que não enxergava “nenhum problema” na possibilidade de privatização.

“Se do ponto de vista econômico fizer sentido a privatização da Petrobras, se isso gerar eficiência para a economia, a decisão tem que ser tomada”, avaliou.

 

João Doria

João Doria (PSDB), atual governador do estado de São Paulo, afirmou que, uma vez eleito, pretende privatizar a companhia “para que ela seja mais competitiva”.

Segundo ele, a ideia é dividir a empresa em três ou quatro partes para a privatização ocorrer de maneira mais fluida. Ao jornal ‘O Estado de S. Paulo’, Doria disse que o planejamento incluiria, ainda, a criação de um fundo de estabilização para o preço dos combustíveis.

“Haverá uma modelagem benfeita e profunda para garantir que a Petrobras possa cumprir um novo papel em sua história nas mãos da economia privada. Ela não terá o mesmo tamanho que tem hoje. Será fatiada”, explicou. Na oportunidade, o governador elucidou também o método: “As empresas que vencerem o leilão terão que mensalmente aportar recursos a um fundo de compensação que será um colchão a cada vez que tivermos aumentos mais expressivos no barril de petróleo no plano internacional”.

 

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No MyNews Investe desta segunda-feira (14), o jornalista Vitor Hugo Gonçalves abordou a pauta:

 

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Balcão de padaria https://canalmynews.com.br/voce-colunista/balcao-de-padaria/ Tue, 01 Feb 2022 17:49:37 +0000 https://canalmynews.com.br/?p=23349 Entender do que o povo fala e como o povo fala é essencial para ter um resultado positivo nas eleições de 2022

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Eu não sou uma pessoa de dar dicas, opiniões ou me meter na vida alheia sem ser convidado a  isso.

Mas, se me pedissem para dar um pitaco na vida eleitoral de alguns pretendentes ao cargo  máximo do Poder Executivo do Brasil, eu diria – Encostem o umbigo no balcão de algumas  padarias em várias cidades do país. Chegou em uma cidade, procure uma padaria e sozinho,  longe do séquito de puxa-sacos que vos acompanha, encostem no balcão e absorvam um  pouco da cultura e da falta de cultura popular. Pode ser boteco também.

Eu sou um frequentador de padarias, mercadinhos, filas de autarquias e um usuário do SUS e  percebo o quanto existe de distância entre os discursos dos candidatos e o pensamento do  povo. Por isso afirmo, sem encostar o umbigo e gastar um tempo tomando um café com leite,  comendo um pão na chapa e ouvir os comentários e as conversas daqueles que ali estão,  posso te dizer meu amigo, você não será eleito!

E não deve fazer isso apenas quando começar a campanha para presidente, para aparecer  naquelas fotos, que dão vergonha alheia, como figura popular no meio do povo. Se você ainda  não começou a fazer isso talvez ainda dê tempo, isso se você começar amanhã. Mas  provavelmente já é tarde.

Cito como exemplo os dois possíveis candidatos que estão em primeiro e segundo lugar nas  pesquisas, o ex-presidente Lula e o presidente Bolsonaro.

O primeiro, Lula, é o campeão de permanência em balcões de padarias, bares e afins.

Durante sua jornada como sindicalista fez graduação, pós, mestrado e doutorado na arte de  encostar o umbigo no balcão, ouvir e inclusive interagir com essa população formadora ou  deformadora de opinião que frequenta os mais diversos balcões espalhados pelo país. Seu  poder de escutar as opiniões de pessoas contrárias à sua pessoa e ao seu partido e transformá-las em eleitores fiéis foi habilmente treinado nos balcões das padarias e bares do ABC paulista.  Eu mesmo tive a oportunidade de almoçar certa vez em um restaurante de frango assado na  Vila Mariana, onde trabalhava, ao lado do ex-presidente. Na época ele havia perdido a eleição  para Fernando Collor e estava reunido com um grupo de pessoas do PT. Eu trabalhava em  agência de publicidade e a pessoa com quem eu estava conhecia um dos participantes do  grupo petista, que nos convidou para sentarmos com eles. Fiquei impressionado com o poder  de persuasão do ex-presidente Lula, o seu jeito simples de falar com qualquer pessoa e ser compreendido e admirado.

O atual presidente é outro frequentador de balcões. Certamente no Rio de Janeiro, onde  morava até ser eleito, frequentou balcões de padarias e botecos de comunidades achacadas  pela milícia. Continua usando essa tática pão com leite moça frequentando os balcões da  cidade satélite de Brasília, onde sai para passear de moto sem máscara e assim ganha a  simpatia daqueles que partilham sua companhia.

O ponto comum entre os dois, sem entrar no mérito do certo ou errado, é que eles sabem  ouvir o povo simples e estabelecer uma ligação com as pessoas, mesmo que depois não deem  a mínima para suas necessidades. Não é à toa que Bolsonaro mantém índices altos de aprovação, mesmo diante de tantas atrocidades que faz e que fez e Lula ainda é o pai dos  pobres.

 

Para ser eleito no Brasil tem que encostar a barriga em um balcão de padaria. Foto: Pixabay

 

Na minha modesta opinião de cidadão que acompanha as notícias e busca informações sobre  política e seus atores, Ciro Gomes é hoje o pré-candidato com maior conhecimento e  possibilidades de tirar o Brasil do buraco que está encalhado há algumas décadas e colocá-lo  para seguir viagem, mas de nada adianta mostrar esse conhecimento que ele tem na ponta da  língua em entrevistas e programas de TV e rádio se ele não consegue tocar o eleitor, o cidadão  que acorda as 5 da matina e para no balcão da padaria para tomar seu cafezinho. Por mais que  ele diga que vai taxar as grandes fortunas e cobrar imposto sobre os lucros dos mega empresários, ou que nos chame de“meu irmão brasileiro”, “meu povo sofrido”, ele não toca o  coração dessas pessoas e acaba ficando no limite dos 12%.

Quanto ao governador Dória, acho que não precisamos de maiores explicações. Quem aqui já  foi ao Qatar sabe do que estou falando. Ele passa a impressão de que está sempre apresentando um programa de TV. Aparentemente não existe com ele conversas casuais e se estiver tomando um café no balcão do boteco ele provavelmente vai querer demitir o chapeiro  e o atendente.

Moro é uma incógnita. Acredito que ele nem saiba que se serve média e pão na chapa nesses lugares. Aliás, ele vai perguntar: o que é média? Pão na chapa?

O candidato do Novo saiu para vomitar e já volta.

Lembro que FHC nunca foi um assíduo frequentador de balcões, deu uma enganada nos  tempos de professor de sociologia e teve o caminho aberto pelo ex-presidente Itamar Franco,  que o colocou como criador do Plano Real, que acabou com a inflação que arrasava nossas  vidas.

Dilma era a gerentona do governo Lula e teve o aval do botequeiro mor. Além de ter disputado  com o Serra, campeão de simpatia e com o Aécio, mauriceba com histórias duvidosas, para ser polido.

Enfim, ao invés de marqueteiros esses possíveis candidatos deviam fazer rotas de padarias e bares. Acordar cedo para um café na padoca perto do ponto do ônibus e depois no final da  tarde um rabo de galo nos botecos, antes de chegar em casa com a “mistura pra janta”.

Seria mais efetivo e muito mais barato para os cofres públicos.


Quem é Conrado Micke Moreno?

Conrado Micke Moreno é ilustrador e membro do Canal MyNews.

* As opiniões das colunas são de responsabilidade do autor e não refletem necessariamente a visão do Canal MyNews


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