colunista Vilma Pinto
Economista e pesquisadora da FGV IBRE
ECONOMIA

Incertezas econômicas e a pandemia

Indicador de Incerteza Econômica (IIE-Br) é importante para avaliar a disposição dos consumidores em gastar e das empresas em investir e contratar
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A aprovação para uso emergencial de vacinas contra a Covid-19 trouxe o tom de esperança para a atividade econômica em 2021. Contudo, a segunda onda de contaminação, a descoberta de novas variantes do vírus e o incerto cronograma de vacinação com insuficiente estoque de vacina tendem a elevar o cenário de incertezas econômicas.

O Indicador de Incerteza Econômica (IIE-Br) do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV IBRE), mostra que durante o aprofundamento da pandemia da Covid-19, as incertezas econômicas bateram o recorde histórico, atingindo 210,5 pontos em abril de 2020. Após este período de profundo pessimismo, o indicador recuou e terminou em 142,3 pontos, no mês de dezembro de 2020.

Incertezas econômicas e a pandemia
Fonte: Dados coletados no Economic Policy Uncertainty / Fonte primária: FGV IBRE

Tal como o indicador de incerteza, outros indicadores de atividade econômica também apresentaram queda abrupta no segundo trimestre de 2020 e recuperação nos trimestres seguintes. Todavia, no indicador de incerteza, o que ocorreu é que mesmo com a redução a partir do terceiro trimestre, o nível permaneceu muito elevado.

O indicador de incerteza é importante para avaliar a disposição dos consumidores em gastar e das empresas em investir e contratar. Além disso, em cenários de elevada incerteza, existe a possibilidade de redução da eficiência alocativa dos recursos. Assim, o indicador pode auxiliar na compreensão do cenário para 2021.

Os indicadores referentes a atividade econômica ao final de 2020 surpreenderam positivamente. Em 2020, a atividade econômica encolheu 4,1%, segundo dados do Banco Central, já na margem, a atividade econômica cresceu 0,6% – dezembro contra novembro, nos dados com ajuste sazonal. Contudo, o resultado positivo não pode ser utilizado como parâmetro para o ano corrente. Isso porque não contemplam os possíveis efeitos do recrudescimento da pandemia e do risco de atrasos no cronograma de vacinação em função de estoques insuficientes da vacina.

Assim, para 2021, a incerteza sobre o ritmo de crescimento da atividade econômica deve seguir elevada, sobretudo para o primeiro trimestre do ano. As projeções de mercado confirmam este cenário e apontam para queda de 0,69% no primeiro trimestre de 2021 vis-à-vis mesmo período de 2020 e crescimento de 3,47% para o ano – os dados são do sistema de expectativas de mercado do Banco Central referente ao dia 05 de fevereiro.

Também contribuem para este cenário o arrefecimento dos efeitos da resposta fiscal aos impactos econômicos da pandemia, com destaque para o auxílio emergencial; e a aceleração da inflação.

Enfim, é preciso reduzir as incertezas para avançar na recuperação da atividade econômica. E para isso ocorrer, é necessário que haja um avanço nas medidas necessárias para solucionar a pandemia, que já matou 239,2 mil pessoas e elevou o nível de desemprego para mais de 14 milhões de brasileiros. 

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