Programa para endividados: enrola ou desenrola? Foto: Estadão

Programa para endividados: enrola ou desenrola?

Especialista alerta para golpes, juros altos e risco de brasileiros voltarem às dívidas pouco tempo após a renegociação

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  • O governo federal lançou o Desenrola Brasil, programa nacional que facilita a renegociação de dívidas para milhões de brasileiros.
  • O plano oferece condições de pagamento mais acessíveis, permitindo revisão de contratos e redução de juros.
  • Especialistas alertam que o benefício pode ser apenas um alívio temporário diante da inflação, juros altos e aumento do custo de vida.
  • O perfil de endividamento mudou: antes eram compras de bens duráveis, agora o crédito cobre despesas básicas como alimentação, combustível, aluguel e medicamentos.

O novo Desenrola Brasil promete ajudar milhões de brasileiros endividados. O programa facilita a renegociação de dívidas e oferece condições mais acessíveis de pagamento. Mesmo assim, especialistas alertam que a iniciativa pode trazer apenas um alívio temporário para famílias que já vivem pressionadas pela inflação, pelos juros altos e pelo aumento do custo de vida.

Em entrevista ao MyNews, a especialista em finanças Milene Dellatore afirmou que o principal cuidado deve ser com golpes. Segundo ela, o consumidor deve buscar informações apenas nos canais oficiais dos bancos e evitar links enviados por WhatsApp ou ligações suspeitas. “Todas as informações serão feitas diretamente via aplicativo ou banco”, explicou.

Como renegociar suas dívidas no Desenrola Brasil? Veja o passo a passo

Ela também destacou que o perfil do endividamento mudou no Brasil. Antes, muitas famílias faziam dívidas para comprar carros, móveis e eletrodomésticos. Agora, o crédito está sendo usado para despesas básicas, como comida, combustível, aluguel e medicamentos. Para Milene, isso mostra que parte da população já depende do crédito para conseguir manter a rotina.

Outro ponto de atenção são os juros das renegociações. Milene afirma que o consumidor precisa analisar se a nova parcela realmente cabe no orçamento e calcular o valor final da dívida antes de aceitar qualquer acordo. Segundo ela, sem organização financeira e aumento da renda, muitas pessoas podem renegociar agora e voltar ao endividamento nos próximos meses.

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