Há 6,2 milhões de jovens fora da escola e do trabalho no Brasil Foto: Hernan Muttoni

Há 6,2 milhões de jovens fora da escola e do trabalho no Brasil

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Levantamento apresentado pelo Ministério do Trabalho durante evento do CIEE mostra avanços na ocupação e na escolaridade, mas alerta para os desafios de permanência dos jovens no mercado de trabalho

Os brasileiros entre 14 e 24 anos somam 32,9 milhões de pessoas, o equivalente a 15,4% da população do país. Desse total, 13,9 milhões estão ocupados, enquanto 6,2 milhões não estudam nem trabalham. Os dados fazem parte de um diagnóstico apresentado pelo Ministério do Trabalho e Emprego durante evento do CIEE, com base na PNAD Contínua do primeiro trimestre de 2026.

Segundo o estudo, o maior grupo de jovens ainda está na escola. São 12,8 milhões que apenas estudam, enquanto 4,3 milhões conseguem conciliar estudo e trabalho. Já 9,6 milhões trabalham, mas estão fora da escola. O levantamento conclui que o principal desafio não é apenas criar vagas, mas manter os jovens integrados ao sistema de educação e emprego.

Escolaridade cresce, mas inserção profissional ainda é desafio

O diagnóstico aponta que 73% dos jovens já concluíram pelo menos o ensino médio. Além disso, 2,3 milhões frequentam o ensino superior e 944 mil já terminaram a graduação. Para o Ministério do Trabalho, a escolaridade nunca foi tão elevada entre os jovens brasileiros, mas o desafio agora é transformar essa formação em empregos qualificados e melhor remunerados.

Apesar da melhora no acesso à educação, a entrada no mercado de trabalho continua mais difícil para quem está começando. A taxa de desemprego entre jovens de 18 a 24 anos ficou em 13,8%, mais que o dobro da média nacional, de 5,8%. Entre adolescentes de 14 a 17 anos, o índice chega a 25,1%, embora tenha caído em relação aos anos anteriores.

Emprego formal avança, mas rotatividade preocupa

O estudo também destaca que 13,9 milhões de jovens estão ocupados, número superior ao registrado antes da pandemia. Além disso, 57,8% dos trabalhadores dessa faixa etária possuem vínculo formal, o maior patamar da série recente. Ainda assim, cerca de quatro em cada dez jovens seguem na informalidade.

Outro ponto de atenção é a permanência no emprego. Entre adolescentes de 14 a 17 anos, 52% permanecem menos de um ano na mesma ocupação. Na faixa de 18 a 24 anos, esse percentual é de 38,2%. Segundo o diagnóstico, salários baixos, baixa qualificação e jornadas extensas dificultam a construção de uma trajetória profissional mais estável.

Aprendizagem concentra mais de 700 mil contratos

Durante a apresentação, o Ministério do Trabalho também destacou o papel da aprendizagem profissional como porta de entrada para o mercado. Atualmente, o país possui 708 mil aprendizes contratados, sendo 471 mil adolescentes entre 14 e 17 anos e 244 mil jovens de 18 a 24 anos. As mulheres representam 53% desse total.

A apresentação ocorreu em evento promovido pelo CIEE, instituição voltada à inserção de estudantes no mercado de trabalho por meio de programas de estágio e aprendizagem. A entidade organiza ações voltadas à empregabilidade jovem e à aproximação entre estudantes e empresas.

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