O racha no STF: entenda a disputa entre Gilmar Mendes e André Mendonça Fachada do STF | Foto: Carlos Moura/SCO/STF

O racha no STF: entenda a disputa entre Gilmar Mendes e André Mendonça

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Ministros trocaram críticas públicas após divergências sobre a condução de investigações e expuseram um clima de tensão dentro do Supremo

As divergências entre os ministros Gilmar Mendes e André Mendonça ganharam força nos últimos dias e escancararam um momento de tensão no STF (Supremo Tribunal Federal). O embate envolve diferenças sobre a condução de investigações, críticas públicas e reflexos que chegam ao cenário político e eleitoral.

A troca de declarações começou após uma sessão da Segunda Turma do Supremo e se intensificou durante entrevista concedida por Gilmar Mendes ao programa Roda Viva. O episódio alimentou avaliações de que o clima entre os ministros se deteriorou e expôs um conflito incomum na Corte.

O que provocou o conflito?

A principal divergência surgiu durante discussões relacionadas às investigações envolvendo o Banco Master.

Na sessão da Segunda Turma, André Mendonça afirmou que foi procurado por um advogado ligado ao caso para discutir uma possível colaboração premiada. O ministro disse que não aceitaria uma “delação seletiva” e deixou claro que não participaria desse tipo de negociação.

A declaração provocou reação imediata de Gilmar Mendes, que observou que a negociação de acordos de colaboração cabe ao Ministério Público e às autoridades responsáveis pela investigação, enquanto ao Supremo compete analisar posteriormente os pedidos que chegam à Corte.

As críticas de Gilmar Mendes

Dias depois, durante entrevista ao Roda Viva, Gilmar Mendes voltou ao assunto e endureceu o tom.

O ministro classificou como um “erro crasso” o fato de André Mendonça ter recebido um advogado ligado ao caso. Segundo Gilmar, esse tipo de conversa não faz parte das atribuições de um ministro do STF durante uma investigação criminal.

As declarações ampliaram a repercussão do episódio e evidenciaram um desconforto entre integrantes da Segunda Turma.

O caso Banco Master amplia a tensão

A disputa ocorre em meio às investigações relacionadas ao Banco Master, processo relatado por André Mendonça.

O caso ganhou ainda mais repercussão após decisões judiciais e operações que envolveram buscas e apreensões. Além disso, a citação de figuras políticas durante as investigações aumentou a sensibilidade do tema e contribuiu para elevar a pressão dentro do Supremo.

Nesse cenário, cada decisão passou a ser acompanhada com atenção tanto pelo meio jurídico quanto pelo ambiente político.

O pano de fundo eleitoral

Além das divergências jurídicas, o momento coincide com a aproximação das eleições de 2026.

Atualmente, André Mendonça ocupa a vice-presidência do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e exerce também a função de corregedor-geral da Justiça Eleitoral. Por isso, já começou a analisar processos ligados à pré-campanha.

Algumas decisões recentes contrariaram interesses de diferentes grupos políticos, o que ampliou a visibilidade de sua atuação e fez crescer o debate sobre o papel do Judiciário no período eleitoral.

O que pode acontecer agora?

Até o momento, André Mendonça não respondeu publicamente às críticas feitas por Gilmar Mendes.

Embora divergências entre ministros sejam comuns, a troca de declarações públicas chamou atenção por expor um conflito que normalmente permanece restrito aos bastidores do Supremo.

O episódio evidencia um ambiente de maior tensão dentro da Corte em um momento sensível para o Judiciário, marcado por investigações de grande repercussão e pela aproximação do calendário eleitoral.

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