Foto: instagram
Abalo sem precedentes no norte da Venezuela expõe a vulnerabilidade da região a eventos sísmicos extremos. Especialistas explicam por que dois grandes terremotos ocorreram em sequência e alertam que novas réplicas ainda podem acontecer nos próximos dias.
A noite de quarta-feira (24) entrou para a história da Venezuela. Em um intervalo inferior a um minuto, dois terremotos de grande magnitude atingiram o norte do país, provocando o colapso de edifícios, cenas de pânico nas ruas de Caracas e uma sequência de mais de 20 réplicas nas horas seguintes. Os tremores também foram percebidos em países vizinhos, incluindo cidades da Região Norte do Brasil.
O episódio chamou a atenção da comunidade científica por um motivo incomum: não se tratou de um único grande terremoto seguido apenas de réplicas, mas de um fenômeno conhecido como “doblete sísmico”, quando dois grandes sismos acontecem praticamente em sequência, liberando enormes quantidades de energia acumulada ao longo de décadas ou até séculos.
Segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), o primeiro terremoto atingiu magnitude 7,2, sendo seguido apenas 39 segundos depois por um segundo tremor ainda mais intenso, de 7,5.
Os dois abalos ocorreram em baixa profundidade — entre aproximadamente 10 e 20 quilômetros — fator que aumenta significativamente a intensidade percebida na superfície e potencializa os danos estruturais.
Logo após os primeiros tremores, os equipamentos de monitoramento registraram mais de 20 réplicas, situação considerada normal após um evento dessa magnitude, embora ainda represente risco para edificações já comprometidas.
Embora o epicentro tenha ocorrido na costa norte da Venezuela, a energia liberada foi suficiente para que ondas sísmicas percorressem centenas de quilômetros.
Moradores dos estados brasileiros de Roraima, Amazonas e outras áreas da Região Norte relataram tremores, especialmente em prédios altos, onde a oscilação costuma ser mais perceptível. Não há registro de danos significativos em território brasileiro.
Ao contrário do padrão mais conhecido — um terremoto principal seguido por réplicas menores —, o dobrote sísmico ocorre quando uma grande ruptura desencadeia quase imediatamente outra ruptura de magnitude semelhante em um segmento próximo da mesma falha geológica.
Segundo especialistas, o primeiro tremor desestabiliza áreas que já estavam sob intensa tensão tectônica, provocando um segundo grande rompimento quase instantâneo.
Apesar de ser um fenômeno raro, ele já foi registrado em outras regiões tectonicamente ativas do planeta.
Sim.
Após terremotos dessa magnitude, é esperado que ocorram dezenas ou até centenas de réplicas nos dias e semanas seguintes. Embora a maioria seja significativamente menor, algumas podem atingir intensidade suficiente para provocar novos desabamentos em estruturas já danificadas.
Por esse motivo, as autoridades continuam recomendando que moradores evitem permanecer em edifícios comprometidos até a conclusão das inspeções técnicas.
Especialistas afirmam que o principal fator não é apenas a magnitude dos terremotos, mas a vulnerabilidade das construções.
Terremotos rasos concentram maior quantidade de energia próxima à superfície. Em cidades densamente povoadas e com edificações antigas ou fora dos padrões modernos de engenharia sísmica, os impactos tendem a ser muito mais severos.
Em outras palavras: muitas vezes, não é o terremoto que causa as mortes, mas o colapso das estruturas.
As equipes de resgate seguem trabalhando nas áreas mais afetadas enquanto engenheiros avaliam a estabilidade de centenas de edifícios.
Ao mesmo tempo, centros sismológicos continuam monitorando a atividade tectônica para acompanhar a evolução das réplicas, que podem persistir durante vários dias.
Embora ainda não seja possível prever novos terremotos, os especialistas afirmam que o comportamento observado faz parte do processo natural de acomodação das placas tectônicas após um evento extremo.