O que a Polícia Federal quer saber de Jaques Wagner Jaques Wagner. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil BANCO MASTER
  • 23/07/2026 06:02
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O que a Polícia Federal quer saber de Jaques Wagner

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Depoimento de Jaques Wagner está previsto para o próximo dia 7 e pode aumentar a fervura política da corrida eleitoral

A Polícia Federal quer que o senador Jaques Wagner explique, em depoimento marcado para o dia 7 de agosto, em Brasília, o teor das apurações do inquérito policial. Nos autos da investigação, a PF caracteriza a relação entre Daniel Vorcaro e o parlamentar como um vínculo de cooptação e pagamento de vantagens indevidas. Embora o senador mantivesse amizade mais estreita com o sócio de Vorcaro, Augusto Ferreira Lima, os investigadores apontam que também existia interlocução direta com o próprio controlador do banco. O depoimento do dia 7 é um desdobramento direto da 9ª fase da Operação Compliance Zero, deflagrada em 18 de junho, capítulo do inquérito que inclusive motivou a saída de Wagner da liderança do governo no Senado.

O caso envolvendo o parlamentar integra uma apuração mais ampla. Segundo os autos da investigação, a instituição financeira operava um modelo sofisticado e fraudulento de captação e circulação de recursos no sistema financeiro nacional.

Os focos da investigação sobre o senador

A apuração indica que grande parte do contato entre as partes era operacionalizada por Guilherme Henrique Sodré Martins, apontado nos autos como o melhor amigo de Jaques Wagner. Ele atuaria como facilitador, organizando encontros em Brasília e repassando contatos pessoais do parlamentar.

No campo político e legislativo, o inquérito aponta que o senador teria agido em favor do Banco Master em três frentes principais.

A primeira envolve a tentativa de aprovação da Emenda número 11 à PEC 65 de 2023, proposta que ampliaria as garantias do Fundo Garantidor de Créditos e que, segundo diálogos de Vorcaro, poderia multiplicar seus negócios em seis vezes.

A segunda frente diz respeito à articulação para a venda do Banco Master ao Banco Regional de Brasília, visto que em mensagens com o jornalista Álvaro Gribel o empresário incluiu o nome de Wagner em uma lista de integrantes do governo favoráveis à operação.

A terceira frente refere-se ao Projeto de Lei 412 de 2022, sobre créditos de carbono, relatado pelo próprio senador e no qual Vorcaro demonstrava interesse direto.

Além da atuação política, a investigação examina contrapartidas e movimentações financeiras. Mensagens encontradas no celular de Vorcaro tratam do transporte do senador em aeronaves ligadas ao empresário, com orientação explícita para manter o jato em hangares pouco conhecidos e realizar desembarques rápidos. A Polícia Federal também identificou indícios de que a empresa BN Financeira, ligada a familiares do senador, recebeu recursos de estruturas controladas por Vorcaro. Entre os valores sob suspeita estão a negociação de um apartamento de luxo em Salvador avaliado em 2,5 milhões de reais, um contrato de 12 milhões de reais envolvendo a empresa da nora do parlamentar e repasses de 3,5 milhões de reais a familiares.

A engrenagem do esquema segundo o inquérito

Para além do núcleo de cooptação política, o inquérito policial detalha que o esquema do Banco Master sustentava-se sobre pilares operacionais bem definidos. A instituição vendia produtos financeiros de rentabilidade elevada e aparente segurança, mas emitia títulos sem lastro real ou vinculados a ativos de baixa qualidade para ocultar sua situação de insolvência.

Para cobrir as crises de liquidez geradas por essa estratégia, o banco buscava recursos de Regimes Próprios de Previdência Social. Com isso, fundos como o Rioprevidência, a Amapá Previdência e fundos do Amazonas sofreram prejuízos de centenas de milhões de reais em aplicações de alto risco.

A investigação aponta ainda a participação do Banco Regional de Brasília como provedor de liquidez mediante a aquisição de carteiras de crédito inexistentes ou inadimplentes, operação que rendia vantagens indevidas a agentes da instituição brasiliense. Paralelamente, Fundos de Investimento em Direitos Creditórios e empresas de fachada eram utilizados para circular e ocultar capital ilícito. O grupo também teria recorrido à Fazenda Amazônica, localizada em terras públicas da União, para gerar créditos de carbono fraudulentos e inflar artificialmente o balanço de suas empresas, operando tudo por meio de uma rede de advogados e laranjas voltada à lavagem de dinheiro.

O avanço das apurações

A investigação começou em 2024 a pedido do Ministério Público Federal e teve sua fase inicial deflagrada com a prisão de Daniel Vorcaro. O desdobramento das operações atingiu diversas frentes, incluindo a 8ª fase, que mirou as aplicações do Rioprevidência e teve entre os alvos o ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro.

Com a decretação da liquidação extrajudicial do Banco Master pelo Banco Central, a Polícia Federal concentra agora os esforços no esclarecimento sobre o papel de agentes públicos na sustentação política e regulatória do esquema.

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