Bandeira dos EUA (Foto: Unsplash)
Medida começa a valer nesta quarta-feira, atinge cerca de 2.100 produtos brasileiros e ainda pode ser ampliada; especialista avalia que disputa tem motivação política além da comercial
As tarifas de 25% impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros entraram em vigor nesta quarta-feira (22). Embora a medida já passe a valer, mercadorias que estavam em trânsito antes da data ainda poderão entrar no mercado americano sem a cobrança adicional, desde que cheguem ao país até o dia 29 de julho. Segundo o advogado especialista em Direito Internacional Jorge Alberto Neves, cerca de 2.100 produtos foram atingidos pela decisão.
Apesar do alcance da medida, alguns produtos estratégicos ficaram de fora da lista de tarifas, como café, minérios e aeronaves civis. Para o especialista, a exclusão busca proteger a economia americana de pressões inflacionárias, e não representa um gesto de aproximação comercial com o Brasil. Ao mesmo tempo, ele avalia que o governo brasileiro tem evitado anunciar medidas de reciprocidade para impedir uma escalada nas tensões, enquanto ainda analisa quais serão os próximos passos.
Neves afirma que o pacote atual pode não ser o último. Segundo ele, autoridades americanas ainda conduzem investigações relacionadas a temas como trabalho forçado, o que poderia justificar novas sobretaxas no futuro. O especialista também criticou as justificativas apresentadas pelos Estados Unidos, como questionamentos sobre o Pix, o comércio da Rua 25 de Março e questões ambientais. Na avaliação dele, esses argumentos têm pouca relação técnica com o comércio bilateral e refletem principalmente interesses políticos.
Na avaliação do especialista, o endurecimento das tarifas também está ligado ao papel crescente do BRICS no cenário internacional. Ele afirma que o Brasil não representa uma ameaça comercial isolada aos Estados Unidos, que, inclusive, registram superávit na balança comercial com o país. No entanto, o fortalecimento do bloco, a expansão de seus membros e iniciativas como o uso de moedas locais e o financiamento por meio do Novo Banco de Desenvolvimento aumentam a preocupação de Washington. Para Neves, o tarifaço faz parte de uma estratégia mais ampla dos Estados Unidos para conter o avanço geopolítico e econômico dos principais integrantes do BRICS.