Senador Flávio Bolsonaro. Foto: Bloomerang News
A poucos dias da convenção do PL, a campanha de Flávio Bolsonaro ainda não definiu um vice, enquanto adversários tentam atrair eleitores da direita e as alianças para 2026 começam a ganhar forma
A poucos dias das convenções nacionais que vão oficializar os candidatos à Presidência, a campanha de Flávio Bolsonaro enfrenta um impasse estratégico. O grupo ainda não definiu quem ocupará a vaga de vice. A indefinição surge justamente quando os partidos começam a formalizar as candidaturas para a eleição de 2026. Com isso, aumenta a pressão sobre o PL e crescem as dúvidas sobre a capacidade de articulação do bolsonarismo.
Nos bastidores, a avaliação é que o problema vai além da escolha de um nome. Segundo o jornalista Evandro Éboli, a campanha procura uma mulher para compor a chapa. A estratégia busca reduzir a rejeição do bolsonarismo entre o eleitorado feminino. No entanto, as negociações avançam lentamente. “Ele precisa conseguir um vice até a convenção. Tem que sair de lá com esse nome definido”, afirmou. Segundo Éboli, um vídeo recente de Michelle Bolsonaro também dificultou as conversas com possíveis aliadas.
Enquanto isso, adversários tentam aproveitar o momento. A equipe de Ronaldo Caiado acredita que pode atrair parte do eleitorado antipetista caso sua candidatura avance nas pesquisas. Segundo Éboli, muitos desses eleitores não são bolsonaristas fiéis. Eles apoiam Flávio apenas por considerá-lo a alternativa mais forte contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Além disso, setores da direita passaram a observar a candidatura de Renan Santos por causa da influência que ele construiu nas redes sociais.
O calendário eleitoral aumenta a pressão sobre as campanhas. O PL realizará sua convenção em 25 de julho, em São Paulo, quando Flávio Bolsonaro deve oficializar a candidatura. Nos dias seguintes, PSD, Novo e PT também confirmarão seus candidatos.
As convenções definirão não apenas os nomes da disputa, mas também o desenho das alianças nacionais. Segundo Éboli, partidos do Centrão devem manter neutralidade na eleição presidencial. Ao mesmo tempo, darão liberdade para que seus diretórios estaduais apoiem diferentes candidatos aos governos locais. Esse cenário pode fragmentar ainda mais a direita e tornar decisivas as articulações das próximas semanas.