Família Bolsonaro sofre desgaste com crise do Pix e tarifaço, avalia economista Pix, o sistema de pagamento instantâneo brasileiro | Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Família Bolsonaro sofre desgaste com crise do Pix e tarifaço, avalia economista

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Economista avalia que crise do Pix e tensão com os EUA favoreceram Lula e desgastaram a oposição

A crise envolvendo o Pix e as tensões comerciais com os Estados Unidos podem ter alterado o cenário político brasileiro. Essa é a avaliação do economista Ricardo Balistiero, que afirma que as estratégias adotadas por integrantes da família Bolsonaro acabaram fortalecendo o governo Lula em um momento decisivo da disputa eleitoral.

Críticas à estratégia da família Bolsonaro

Durante entrevista ao MyNews, Balistiero afirmou que Michelle Bolsonaro demonstra uma postura política mais estratégica do que Jair Bolsonaro e seus filhos. Segundo ele, os principais nomes da família acabam criando dificuldades para si próprios ao atacar temas sensíveis para a população e para a economia.

O economista citou o Pix como exemplo. Na avaliação dele, o sistema de pagamentos se consolidou entre consumidores e pequenos comerciantes, reduzindo custos com maquininhas e tarifas bancárias. Por isso, acredita que críticas ao mecanismo dificilmente geram ganhos políticos e podem produzir o efeito contrário.

Além disso, Balistiero afirmou que o estilo de liderança associado a Jair, Eduardo e Flávio Bolsonaro, baseado em confrontos e pressão, perdeu espaço em uma sociedade que, segundo ele, passou a valorizar outras formas de negociação e comunicação.

Pix pode influenciar o cenário eleitoral

Na análise do economista, o debate sobre o Pix deixou de ser apenas econômico e ganhou peso político. Ele afirmou que a ampla aceitação da ferramenta pela população dificulta qualquer discurso contrário ao sistema e pode favorecer o governo federal.

Segundo Balistiero, o tema passou a funcionar como um fator de desequilíbrio na disputa eleitoral. Para ele, Lula estaria sendo beneficiado pelo desgaste provocado pelas ações da oposição, enquanto o governo reforça a narrativa de defesa de interesses nacionais.

Governo aposta em novos mercados

Outro ponto destacado foi a reação do governo à crise comercial com os Estados Unidos. Balistiero avaliou que, diante das dificuldades, o Brasil acelerou a busca por novos mercados para reduzir sua dependência das exportações destinadas aos americanos.

Ele lembrou que a China permanece como o principal parceiro comercial do Brasil, absorvendo cerca de US$ 100 bilhões em exportações por ano. Já os Estados Unidos aparecem em segundo lugar, com aproximadamente US$ 37 bilhões, o que representa uma participação menor na pauta exportadora brasileira.

Impactos devem ser regionais, não nacionais

Embora reconheça que alguns setores serão prejudicados, Balistiero acredita que os efeitos econômicos tendem a se concentrar em regiões específicas. Ele citou produtores de frutas na Bahia, fabricantes de calçados e segmentos industriais em São Paulo, Minas Gerais e no Sul do país como os mais vulneráveis.

Ainda assim, o economista avalia que a economia brasileira possui capacidade para diversificar mercados e minimizar os impactos. Na visão dele, o cenário não deve provocar mudanças significativas em indicadores como câmbio, juros ou na condução da política econômica. Por outro lado, acredita que os reflexos políticos da crise já começam a alterar o equilíbrio entre governo e oposição.

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