Como o Banco Master conseguiu chegar ao dinheiro da Previdência? Daniel Vorcaro I Foto: Reprodução

Como o Banco Master conseguiu chegar ao dinheiro da Previdência?

Tamanho do texto:

Especialista em Direito Previdenciário explica por que fundos de aposentadoria se tornaram alvo recorrente de fraudes, quais falhas abriram espaço para o Banco Master e o que mudou após as investigações

Os recursos da Previdência dos servidores públicos voltaram ao centro das discussões após as investigações envolvendo o Banco Master. Nesse contexto, a principal dúvida é como valores destinados ao pagamento de aposentadorias acabaram financiando operações que hoje estão sob investigação. Para o advogado e especialista em Direito Previdenciário Diego Cherulli, o caso revela fragilidades antigas na fiscalização e na gestão dos fundos previdenciários.

Por que os fundos de Previdência se tornaram alvo?

Segundo Cherulli, os regimes próprios de Previdência sempre atraíram o interesse de grupos que buscavam captar grandes volumes de recursos. No caso do Banco Master, os Certificados de Depósito Bancário (CDBs) ofereciam alta rentabilidade e contavam com a proteção do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Por isso, transmitiam segurança aos gestores e incentivavam investimentos que, posteriormente, passaram a ser questionados pelas investigações.

Além disso, o especialista afirma que não é possível concluir que todos os gestores participaram de um esquema de corrupção. Segundo ele, muitos tomaram decisões motivados pela rentabilidade elevada e pela imagem de crescimento do banco. Inclusive, Cherulli lembra que situações semelhantes já ocorreram em outros escândalos, como os investimentos ligados à Petrobras durante o Petrolão.

Servidores podem perder a aposentadoria?

Apesar dos prejuízos registrados por alguns fundos, Cherulli destaca que os servidores não podem deixar de receber seus benefícios. Isso porque, nos regimes próprios, estados e municípios têm a obrigação de recompor eventuais perdas para garantir o pagamento das aposentadorias. Além disso, caso ocorram prejuízos aos beneficiários, sindicatos e Ministério Público podem buscar a responsabilização dos envolvidos.

O que mudou após as investigações?

O advogado avalia que as investigações levaram ao fim do modelo de descontos associativos em folha, apontado como uma das portas de entrada para fraudes no INSS. No entanto, ele alerta que outro problema continua afetando aposentados e pensionistas: os empréstimos consignados fraudulentos.

Além disso, Cherulli afirma que criminosos continuam utilizando contratos sem autorização, falsificando assinaturas e convencendo idosos a contratar empréstimos por telefone. Segundo o especialista, o uso de inteligência artificial para reproduzir vozes das vítimas tornou esse tipo de golpe ainda mais sofisticado. Por isso, ele defende maior fiscalização e reforça a necessidade de que aposentados e pensionistas redobrem a atenção antes de autorizar qualquer operação financeira.

Compartilhar:

Relacionados