Tarifaço de Trump pode chegar a 37,5% e ameaça exportações do Brasil Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump | Foto: Daniel Torok/Casa Branca

Tarifaço de Trump pode chegar a 37,5% e ameaça exportações do Brasil

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Além da tarifa de 25% proposta contra produtos brasileiros, uma sobretaxa de 12,5% pode atingir mercadorias ligadas a uma investigação sobre trabalho forçado. Governo e empresas tentam ampliar a lista de exceções

As tarifas propostas pelo governo de Donald Trump contra produtos brasileiros podem alcançar 37,5% em alguns casos. O percentual considera a cobrança de 25% sobre determinadas mercadorias do Brasil e uma possível taxa adicional de 12,5%.

A sobretaxa faz parte de uma investigação dos Estados Unidos sobre o combate ao trabalho forçado nas cadeias produtivas internacionais. Caso as duas medidas incidam sobre o mesmo produto, as cobranças podem se acumular. No entanto, a aplicação dependerá da decisão final do governo norte-americano e das exceções concedidas.

No programa Café do MyNews, da MyNews VIP FM 90,9, o especialista em relações institucionais e acordos internacionais Maurício explicou que o novo cenário aumenta a preocupação dos exportadores. Segundo ele, o governo brasileiro considera pouco provável um adiamento da medida. Por isso, o país deve concentrar esforços na negociação de exceções para produtos e setores específicos.

Empresas pressionam por exceções

Representantes do setor produtivo também atuam nos Estados Unidos para reduzir os efeitos do tarifaço. Empresas brasileiras podem recorrer a clientes, parlamentares e escritórios de lobby para defender seus interesses no mercado norte-americano.

Além disso, companhias dos Estados Unidos com negócios no Brasil demonstram preocupação. A elevação das tarifas pode encarecer matérias-primas, reduzir o comércio bilateral e pressionar os preços pagos pelos consumidores norte-americanos.

Produtores de aço, por exemplo, pediram que o ferro-gusa brasileiro fique fora da nova cobrança. Eles argumentam que a produção interna dos Estados Unidos não atende toda a demanda. Portanto, a tarifa também poderia prejudicar empresas norte-americanas.

Governo brasileiro prepara negociação por setores

O governo brasileiro deve aguardar a decisão dos Estados Unidos para identificar quais produtos enfrentarão as novas taxas. Depois disso, a estratégia será negociar setor por setor e produto por produto.

A proposta de tarifa de 25% está ligada a uma investigação comercial contra o Brasil. O governo Trump questiona práticas brasileiras em áreas como comércio digital, meio ambiente e propriedade intelectual. O Pix também entrou na discussão porque autoridades norte-americanas avaliam possíveis impactos do sistema sobre empresas de cartões. O governo brasileiro rejeita essas acusações.

A nova cobrança também ocorre após o tarifaço de 50% anunciado em 2025. Na época, Trump relacionou a medida ao processo contra o ex-presidente Jair Bolsonaro. Agora, embora a proposta apresente argumentos comerciais, especialistas ainda identificam componentes políticos na disputa.

A decisão final sobre a tarifa de 25% é esperada para esta quarta-feira, 15 de julho. Até lá, governo, empresários e representantes de setores exportadores tentam ampliar a lista de produtos protegidos. Mesmo com exceções, o impasse pode reduzir as exportações brasileiras e aumentar a instabilidade nas relações entre Brasil e Estados Unidos.

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