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Enquanto Estados Unidos, Reino Unido e China registram crescimento modesto, o Brasil avança 21% nas vendas de arte e desperta maior interesse de colecionadores e galerias internacionais
O mercado global de arte cresceu em 2025, mas manteve um ritmo moderado. Segundo o relatório Art Basel & UBS Global Art Market Report 2026, o setor movimentou cerca de US$ 60 bilhões, alta de 4% em relação ao ano anterior. Mesmo assim, Estados Unidos, Reino Unido e China registraram uma expansão limitada. O cenário reflete a cautela dos investidores diante da inflação elevada.
Os Estados Unidos lideraram o mercado, com US$ 26 bilhões em vendas e 44% de participação global. O Reino Unido movimentou US$ 10,5 bilhões e respondeu por 18% do mercado. Já a China alcançou cerca de US$ 8 bilhões e ficou com 14% das vendas. Juntos, os três países concentram 76% do mercado mundial, mas cresceram pouco no último ano.
Especialistas avaliam que o crescimento global perde força quando se considera a inflação acumulada dos últimos anos. Além disso, anos de eleições presidenciais nos Estados Unidos costumam aumentar a volatilidade do mercado de arte e levar investidores a agir com mais cautela.
Na contramão das principais economias, a América Latina apresentou um desempenho mais resiliente. Um dos destaques foi a venda da obra Diego y Yo, de Frida Kahlo, arrematada por US$ 54,7 milhões em um leilão em Nova York. A negociação reforçou o interesse internacional pela produção artística latino-americana.
No Brasil, o cenário foi ainda mais positivo. Os negociantes de arte registraram crescimento de 21% nas vendas em relação ao ano anterior. Além disso, 83% esperam que a comercialização de obras brasileiras continue avançando. Compradores estrangeiros ampliaram o interesse por artistas como Adriana Varejão e Beatriz Milhazes. A produção contemporânea nacional também ganhou espaço.
Ao contrário das grandes potências, que dependem de leilões milionários para impulsionar os resultados, o Brasil fortaleceu o mercado por meio das vendas domésticas e regionais. O aumento da base de colecionadores locais elevou o número de transações e consolidou o país como um dos destaques do setor.
O relatório também mostra que quase metade dos compradores ativos nas galerias no último ano eram novos clientes. Por isso, galerias e negociantes mantêm a conquista desse público como uma das principais estratégias para sustentar o crescimento do mercado.
O aquecimento do setor também aparece na rotina dos artistas. A pintora Eloía Lobo afirma que a procura por suas obras aumentou de forma significativa desde a pandemia. Segundo ela, o interesse por trabalhos feitos à mão cresceu nos últimos anos.
Além disso, as plataformas digitais ganharam um papel decisivo na divulgação das obras e na aproximação entre artistas e colecionadores. Galerias e criadores usam cada vez mais os canais online para ampliar a visibilidade e vender obras, inclusive de alto valor. Dessa forma, a internet se consolidou como uma ferramenta estratégica para fortalecer o mercado de arte e atrair novos compradores.