Bandeira da Otan. Foto: Jornal da USP
A postura dos Estados Unidos em relação à aliança militar gera incertezas entre aliados europeus, enquanto o apoio à Ucrânia domina a agenda da cúpula da Otan
A cúpula da Otan ocorre em um momento de incerteza sobre o futuro da principal aliança militar do Ocidente. O principal motivo é a postura do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que voltou a questionar o papel americano na defesa dos aliados e pressiona os países europeus a ampliarem seus próprios investimentos em segurança. Ao mesmo tempo, o conflito entre Rússia e Ucrânia continua no centro das discussões.
Desde seu primeiro mandato, Trump afirma que os Estados Unidos assumem uma parcela desproporcional dos custos da Otan. Agora, a cobrança para que os membros da aliança destinem até 5% do Produto Interno Bruto (PIB) à defesa reforça a percepção de que Washington pode reduzir seu compromisso com a segurança coletiva. Esse cenário faz países europeus e o Canadá discutirem alternativas para fortalecer sua capacidade militar sem depender integralmente do apoio americano.
A guerra na Ucrânia também amplia as preocupações. Embora o país não faça parte da Otan, a invasão russa teve relação direta com o debate sobre uma possível adesão de Kiev à aliança. Enquanto a Europa mantém a disposição de continuar apoiando os ucranianos, permanecem dúvidas sobre o nível de envolvimento dos Estados Unidos. A expectativa também se concentra em um encontro entre Trump e o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, que pode influenciar os próximos passos do conflito.
O resultado da cúpula será observado de perto por governos e analistas. Mais do que definir estratégias para a guerra na Ucrânia, o encontro pode indicar se a Otan continuará exercendo o mesmo papel de dissuasão que desempenhou nas últimas décadas ou se a Europa precisará acelerar a construção de uma estrutura própria de defesa diante da possibilidade de um menor envolvimento dos Estados Unidos.