Palácio do Congresso Nacional | Foto: Roque de Sá/Agência Senado
Nova líder do governo no Senado, Teresa Leitão reconhece desgaste na relação com a Casa, mas nega ruptura com Davi Alcolumbre e mantém esperança de avanço da PEC
A líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE), reconheceu um “profundo mal-estar” na relação entre o Palácio do Planalto e o Senado. Apesar disso, ela afirmou que os canais de diálogo com o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), continuam abertos. Na avaliação da senadora, não existe uma crise irreversível entre os dois lados.
Segundo Teresa, o ambiente político piorou após a rejeição do nome do advogado-geral da União, Jorge Messias, para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF). Além disso, ela acredita que o calendário eleitoral tende a dificultar ainda mais as negociações no Congresso durante o segundo semestre.
O governo considera a PEC que acaba com a escala 6×1 uma de suas principais prioridades. Teresa Leitão esperava que Davi Alcolumbre enviasse o texto para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) ainda no primeiro semestre. Como isso não ocorreu, a expectativa ficou para agosto.
A tramitação, porém, deve enfrentar obstáculos. A proposta precisa passar pela CCJ e conquistar apoio em dois turnos no plenário. Além disso, Teresa avalia que Alcolumbre ainda não demonstrou interesse em acelerar a votação.
Enquanto a PEC segue parada, o Senado aprovou projetos que ampliam a pressão sobre as contas públicas. Um deles reduz a idade de aposentadoria de agentes comunitários de saúde e de combate às endemias. Segundo o Ministério da Fazenda, a medida pode gerar impacto de R$ 127 bilhões. Ainda assim, Teresa afirmou que Alcolumbre tinha pouca margem para barrar a votação, já que cerca de 60 senadores apoiavam a inclusão da proposta na pauta.
Na avaliação da líder do governo, aprovar o fim da escala 6×1 representa uma das principais vitrines da campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ela acredita que a medida pode se transformar em um dos principais legados sociais do governo. No entanto, o avanço da proposta depende diretamente da decisão de Davi Alcolumbre de colocá-la em votação.