Foto: Loja da Pátria
Como boa paulistana, o surgimento inesperado de um arco-íris no céu de São Paulo sempre me encanta. Ele aparece quase sempre depois de uma tempestade de verão ou em uma tarde carregada de outono, recortando o horizonte e desafiando o cinza dominante do nosso skyline de concreto e vidro. É uma visão quase poética, um […]
Como boa paulistana, o surgimento inesperado de um arco-íris no céu de São Paulo sempre me encanta. Ele aparece quase sempre depois de uma tempestade de verão ou em uma tarde carregada de outono, recortando o horizonte e desafiando o cinza dominante do nosso skyline de concreto e vidro. É uma visão quase poética, um lembrete de que, mesmo na cidade que não para, ainda há espaço para o extraordinário.
Talvez por isso, ao observar mais atentamente esses fenômenos, tenha me ocorrido uma instigante analogia. À frente da São Paulo Negócios, agência de fomento econômico do município, acostumei-me a lidar diariamente com números, fluxos de negócios e tendências. E, ao analisar os dados recentes de abertura e migração de empresas, percebi que a cidade, de certa forma, materializa a antiga lenda irlandesa do pote de ouro no fim do arco-íris, um símbolo de riqueza, sorte e felicidade, mas também da persistência na busca por sonhos.
Em um cenário marcado por incertezas políticas e econômicas no Brasil, somadas ao agravamento das tensões geopolíticas globais, a capital paulista tem se consolidado como esse “fim de arco-íris” contemporâneo. É o local que milhares de empreendedores, investidores e trabalhadores escolhem para concretizar projetos de vida, movidos pela expectativa concreta de construir oportunidades, gerar renda e transformar ideias em negócios.
Esse movimento não ocorre por acaso. Ele é resultado de um ambiente que combina dinamismo econômico com políticas públicas voltadas à atração e retenção de empresas. São Paulo tem avançado na adoção de incentivos fiscais, na simplificação de processos burocráticos e em estratégias de zoneamento que favorecem setores como tecnologia e serviços, além de impulsionar a revitalização do centro histórico. São medidas que, na prática, reduzem barreiras e ampliam horizontes para quem decide empreender.
Os números confirmam essa vocação. Em 2024, a cidade bateu recordes: quase 200 mil novos CNPJs foram abertos e cerca de 19 mil empresas transferiram suas operações para o município, altas de 16,8% e 29% em relação a 2021, respectivamente. Entre 2021 e 2025, foram 89.840 empresas que migraram para a capital e impressionantes 869.004 novos negócios constituídos. Só em 2025, registraram-se 15.616 migrações e 185.121 novas aberturas.
Cabe lembrar, com ênfase, que as micro e pequenas empresas são um grande motor da economia brasileira. Segundo o Sebrae, representam 97% dos negócios ativos no País, somando 21,7 milhões de empreendimentos, e respondem por 26,5% do PIB nacional. Mais do que isso, são responsáveis por sete em cada dez novos empregos formais, dado que revela seu papel central na geração de renda e no desenvolvimento local.
Em São Paulo, esse retrato repete-se e se intensifica. Cada pequeno negócio que nasce ou se instala na cidade carrega consigo uma atividade econômica e um projeto de vida. São histórias de risco, coragem e reinvenção, de quem decidiu acreditar que, mesmo em meio às adversidades, é possível encontrar o seu próprio “pote de ouro” no fim dos arco-íris da economia paulistana.
Daí a importância de seguir avançando em políticas públicas que fortaleçam esse ecossistema. Facilitar o acesso ao crédito, ampliar linhas de financiamento em condições mais favoráveis, simplificar a burocracia e estimular compras governamentais são alguns caminhos essenciais para estimular a abertura e contribuir para a longevidade desses empreendimentos em todo o Brasil, como tem ocorrido em São Paulo.
Afinal, o pote de ouro não é apenas uma metáfora distante. Ele se materializa cotidianamente nas ruas de nossa cidade, em cada empresa que abre as portas, em cada emprego gerado e em cada sonho que insiste em prosperar.
*Alessandra Andrade é presidente da São Paulo Negócios, agência de promoção de investimentos e exportações.