Deputado afirma que o Brasil continuará polarizado, mas diz que o debate político precisa deixar de girar em torno de líderes e passar a ser guiado por programas de governo
Quem representará a direita brasileira depois da era Bolsonaro? A pergunta ganhou força nos últimos meses. Isso porque o ex-presidente enfrenta restrições judiciais, enquanto diferentes grupos disputam seu eleitorado.
Nesse cenário, o Movimento Brasil Livre (MBL) tenta se consolidar como uma alternativa ao bolsonarismo. O grupo defende uma direita ligada à responsabilidade fiscal, às reformas econômicas e às instituições democráticas.
Foi nesse contexto que o deputado federal Kim Kataguiri (União-SP), um dos fundadores do movimento, afirmou que “o bolsonarismo está muito longe de representar os valores da direita”. Segundo ele, a polarização continuará existindo. No entanto, o problema é que ela deixou de ser uma disputa entre projetos e passou a girar em torno de líderes políticos.
Além disso, Kim argumenta que tanto apoiadores de Luiz Inácio Lula da Silva quanto de Jair Bolsonaro costumam justificar mudanças de posição de seus líderes. Na avaliação dele, isso enfraquece o debate político e reduz a cobrança por coerência ideológica.
Para sustentar essa tese, o deputado citou a sanção de medidas mais rígidas na área de segurança pelo governo Lula. Ao mesmo tempo, lembrou que Bolsonaro apoiou, no fim do mandato, a chamada PEC Kamikaze, criticada por ampliar os gastos públicos. Assim, episódios como esses mostrariam que a fidelidade aos líderes passou a prevalecer sobre princípios políticos.
Por outro lado, o deputado rejeitou o rótulo de “terceira via”. Para ele, democracias consolidadas costumam se organizar em dois grandes polos. A diferença, afirma, é que essa divisão deve ser construída sobre programas de governo, e não sobre personalidades.
Com isso, o MBL tenta ampliar sua influência nacional. Ao mesmo tempo, busca ocupar parte do espaço deixado pela perda de protagonismo do bolsonarismo e construir uma alternativa para as eleições de 2026.
Por fim, Kim respondeu às críticas de que o MBL faria parte da extrema direita. Segundo o deputado, o movimento é “radical” porque defende mudanças profundas em áreas como segurança pública, gestão do Estado e crescimento econômico.
Ainda assim, ele rejeitou qualquer associação com posições antidemocráticas. Na visão do parlamentar, reformas estruturais são necessárias diante do avanço do crime organizado, da baixa produtividade da economia e da perda de confiança nas instituições.