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Especialista afirma que uma derrota militar convencional é improvável e diz que Washington enfrenta limites para impor uma mudança de regime em Teerã
A superioridade militar dos Estados Unidos não garante uma derrota do Irã. Essa é a avaliação do professor Salem Nasser, especialista em Direito Internacional. Segundo ele, fatores militares, geográficos e políticos dificultam uma vitória rápida de Washington e podem transformar o conflito em uma guerra de desgaste.
Para Salem, o principal desafio americano é que bombardeios não bastam para derrubar o regime iraniano. “Numa guerra convencional, o Irã não vai ser vencido. Ele não pode ser vencido”, afirmou. Além disso, ele avalia que uma invasão terrestre exigiria um investimento elevado em tropas, equipamentos e recursos financeiros. Na prática, os Estados Unidos enfrentariam um cenário ainda mais complexo do que encontraram no Iraque e no Afeganistão.
Ao longo das últimas décadas, o Irã preparou suas Forças Armadas para um modelo de guerra baseado em mísseis, drones e pressão econômica. Ao mesmo tempo, o país mantém uma posição estratégica no Estreito de Ormuz, rota por onde passa parte significativa do petróleo comercializado no mundo. “O Irã se preparou muito para o tipo de guerra que ele está vivendo hoje”, disse Salem. Em seguida, reforçou sua avaliação: “O Irã está pronto para esta guerra e ele não tem como perder esta guerra”.
Por isso, o especialista acredita que Washington aposta em outra estratégia. Em vez de buscar uma vitória militar imediata, os Estados Unidos tentariam prolongar o conflito para aumentar a pressão sobre o governo iraniano. “Os Estados Unidos estão tentando trabalhar com o tempo para ver se, desgastando pouco a pouco o Irã, surge alguma crise interna que faça o regime cair”, afirmou. Ainda assim, Salem considera essa estratégia incerta. Segundo ele, guerras também podem fortalecer o sentimento de unidade nacional, especialmente quando a população interpreta o conflito como uma ameaça externa.