Haddad lamenta enfraquecimento do PSDB e diz que país perdeu uma direita democrática Ministro da Fazenda, Fernando Haddad | Foto: Diogo Zacarias/MF

Haddad lamenta enfraquecimento do PSDB e diz que país perdeu uma direita democrática

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Ministro afirma que o desaparecimento dos tucanos fortaleceu a polarização política e deixou o Brasil sem uma direita democrática organizada

Durante quase três décadas, PT e PSDB protagonizaram a política brasileira. Os dois partidos disputaram eleições presidenciais, defenderam projetos diferentes para o país e dominaram o debate nacional. Nos últimos anos, porém, esse cenário mudou. Enquanto o PT manteve protagonismo, o PSDB perdeu espaço, viu lideranças deixarem a legenda e deixou de ser uma força competitiva em âmbito nacional.

O vazio deixado pelo PSDB

Na avaliação do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, esse enfraquecimento representa uma perda para a democracia. Em entrevista ao MyNews, ele afirmou que o Brasil deixou de contar com uma força de centro-direita capaz de fazer oposição sem questionar pilares institucionais. Segundo Haddad, antigos líderes tucanos, como Fernando Henrique Cardoso, Mário Covas, José Serra e Geraldo Alckmin, divergiam do PT em temas econômicos e sociais. Ainda assim, compartilhavam valores como a defesa da democracia, da soberania nacional e dos direitos humanos. Para o ministro, a ausência desse campo político abriu espaço para o avanço da extrema direita.

Além disso, Haddad afirmou que o processo de desgaste coincidiu com o período em que João Doria ganhou protagonismo dentro do PSDB. Embora tenha evitado responsabilizá-lo diretamente, o ministro lembrou que a legenda perdeu força justamente em estados onde tradicionalmente era dominante, como São Paulo, Minas Gerais, Paraná e Goiás. Ao mesmo tempo, governadores eleitos pelo partido, como Eduardo Leite e Raquel Lyra, migraram para outras siglas. Para Haddad, esse movimento consolidou a perda de relevância nacional dos tucanos.

Polarização continua

Por outro lado, Haddad demonstrou ceticismo em relação à possibilidade de recuperação do PSDB com a filiação de Ciro Gomes. Na visão do ministro, a candidatura do ex-presidenciável está mais ligada à tentativa de derrotar o PT do que à reconstrução da legenda. Por isso, ele avalia que o partido dificilmente retomará o espaço que ocupou durante décadas. Enquanto isso, a polarização entre o campo petista e a direita deve continuar dominando a política brasileira, reduzindo o espaço para uma alternativa de centro-direita organizada.

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