Haddad diz que alertas sobre o Banco Master o fizeram evitar Vorcaro Foto: Partido dos Trabalhadores

Haddad diz que alertas sobre o Banco Master o fizeram evitar Vorcaro

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Ministro da Fazenda afirma que recusou todas as tentativas de aproximação do banqueiro após analisar o banco e receber informações do mercado; ele também defendeu a autonomia da Polícia Federal nas investigações

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que recusou todas as tentativas de aproximação feitas pelo banqueiro Daniel Vorcaro antes da crise que levou à liquidação do Banco Master. Em entrevista ao Café do MyNews, Haddad disse que já havia analisado o balanço da instituição e recebido informações do mercado financeiro que o levaram a não aceitar reuniões com o então controlador do banco.

Tentativas de aproximação

Segundo Haddad, Vorcaro tentou marcar encontros por diferentes interlocutores, como empresários, deputados e senadores, mas nunca pelos canais oficiais do Ministério da Fazenda. O ministro afirmou que decidiu não recebê-lo porque não via motivo para uma conversa.

“Eu já tinha feito uma análise do balanço do Master e tinha recebido informações no mercado financeiro sobre as atividades do Vorcaro. Não tinha o que falar com ele efetivamente”, declarou.

Haddad acrescentou que, com o passar do tempo, os pedidos de audiência passaram a trazer mensagens que sugeriam consequências caso algo acontecesse com o banqueiro. Segundo ele, os recados insinuavam que uma eventual investigação poderia provocar uma crise institucional. Apesar disso, o ministro afirmou que nunca se sentiu ameaçado.

“Passar a limpo”

Durante a entrevista, Haddad defendeu que o caso seja investigado sem interferência política. Para ele, o país precisa abandonar tanto a prática de proteger suspeitos quanto a de transformar investigações criminais em disputas partidárias.

“O Brasil não pode passar pano nem politizar uma investigação criminal. É preciso investigar, comprovar quem errou e aplicar a punição prevista em lei”, afirmou.

O ministro também avaliou que a Polícia Federal tem conduzido as apurações com autonomia durante o governo Lula. Segundo Haddad, até o momento não há sinais de uso político da investigação.

O caso Banco Master

Haddad voltou a classificar o caso Banco Master como “a maior fraude bancária da história do Brasil”. Segundo ele, o crescimento acelerado da instituição ocorreu após falhas na fiscalização do Banco Central e, posteriormente, com a corrupção de integrantes da própria autoridade monetária.

“O Banco Central deveria ter impedido que o banco chegasse à dimensão que alcançou. Quando essa proteção falhou, abriu-se espaço para um crescimento sem lastro”, afirmou.

O Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master em novembro de 2025, alegando grave comprometimento da situação financeira da instituição e descumprimento de normas do Sistema Financeiro Nacional. Paralelamente, a Polícia Federal iniciou uma investigação para apurar suspeitas de fraudes envolvendo operações de crédito, emissão de títulos e outros crimes financeiros atribuídos ao grupo ligado a Daniel Vorcaro.

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