Antônio Carlos Freixo Júnior e Daniel Vorcaro — Foto: Reprodução
caso master
Operação cumpre 27 mandados em sete estados e investiga suposta lavagem de dinheiro na aquisição da distribuidora de combustíveis Terrana
O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO), do Ministério Público de São Paulo, em parceria com a Receita Federal, deflagrou nesta quinta-feira (24) a terceira fase da Operação Carbono Oculto. Ao todo, são cumpridos 27 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso, Santa Catarina e Espírito Santo.
A investigação apura um suposto esquema de lavagem de dinheiro e organização criminosa ligado ao setor de combustíveis, com foco na aquisição da Tobras Distribuidora de Combustíveis Ltda., conhecida como Terrana. Segundo o Ministério Público, uma estrutura financeira e societária teria sido montada para ocultar patrimônio e os verdadeiros controladores da empresa, utilizando fundos de investimento, companhias e operações financeiras consideradas atípicas.
Entre os alvos estão Humberto Arthur Tupinambá Neto, ex-diretor do Banco Genial, seus irmãos André e Bruno Tupinambá, e o empresário Antonio Carlos Freixo Junior, dono da Entre Investimentos e ligado ao Banco Master. Freixo firmou acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República no âmbito das investigações envolvendo o banco. O GAECO aponta Roberto Augusto Leme da Silva, conhecido como “Beto Louco”, e Mohamad Hussein Mourad, o “Primo”, como líderes da organização investigada.
De acordo com os investigadores, mais de R$ 120 milhões teriam circulado por empresas usadas como “contas de passagem” antes de os recursos chegarem à estrutura responsável pela compra da Terrana. A apuração reúne relatórios do Coaf, documentos bancários, informações fornecidas pelo Banco Genial, análise de movimentações financeiras e mensagens extraídas de celulares apreendidos em fases anteriores. As defesas dos envolvidos e das empresas citadas foram procuradas e, até o momento, não haviam se manifestado.
O Banco Genial esclarece que Humberto Tupinambá não integra mais a Diretoria nem é sócio da instituição desde maio de 2026, quando foi destituído.
A Genial afirma que forneceu ao GAECO-SP todas as informações que estavam em seu poder sobre as operações envolvendo o Fundo Radford, incluindo as empresas Berna e Branson Holdings, e realizou as comunicações cabíveis ao COAF.
A instituição afirma ainda que adotou medidas adicionais de governança e controle, incluindo a revisão de processos, o afastamento e posterior destituição do então diretor envolvido nos processos decisórios, além do apoio de especialistas externos.
Após a deflagração da Operação Carbono Oculto, a Genial renunciou à administração do Fundo Radford e afirma que permanece colaborando com as autoridades e à disposição para prestar os esclarecimentos necessários.