Palácio do Congresso Nacional | Foto: Roque de Sá/Agência Senado
Proposta que busca conter o efeito dos puxadores de votos enfrenta resistências do PL e divisões na esquerda
As principais lideranças do Centrão retomaram o debate sobre a adoção do voto distrital misto no Congresso Nacional. No entanto, os parlamentares querem votar o texto às pressas ainda na atual legislatura. O objetivo principal é desarticular os puxadores de voto tradicionais e as celebridades da internet. Os jornalistas Mara Luquet e Evandro Éboli analisaram os bastidores dessas negociações no Café do MyNews.
De acordo com Evandro Éboli, o deputado Hugo Motta lidera essa movimentação com dirigentes de peso. Ele reuniu nomes como Gilberto Kassab, Marcos Pereira, Antônio Brito e Dr. Luizinho. Assim, a iniciativa surge como uma resposta direta ao avanço dos parlamentares influenciadores nas redes sociais. Um exemplo claro citado na conversa é o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG). Por causa da sua votação histórica, ele ajudou a eleger quase 15 deputados da sua legenda.
O Centrão perdeu cerca de 20 cadeiras na Câmara dos Deputados. Desse modo, o bloco agora busca uma alternativa para conter novas perdas eleitorais. O modelo distrital misto recupera uma proposta antiga de José Serra. Nesse sistema, o eleitor vota duas vezes nas eleições para deputado. Primeiramente, ele escolhe um representante para o seu distrito específico. Em seguida, ele seleciona uma lista partidária fechada, definida previamente pelas cúpulas partidárias.
Embora o Centrão pressione pela mudança, o texto enfrenta forte oposição de lados rivais:
Oposição firme do PL: O Partido Liberal se posiciona contra a proposta. Afinal, a legenda se beneficia diretamente da votação expressiva dos seus nomes mais conhecidos.
Rachas no PT e no PSOL: Por outro lado, o campo progressista argumenta que o novo modelo prejudica o chamado voto ideológico. Como o sistema delimita distritos territoriais, ele enfraquece quem tem votos dispersos pelo estado. Além disso, a esquerda teme o poder excessivo dos caciques partidários na criação das listas.
Durante o programa, Mara Luquet e Evandro Éboli também lembraram de outros projetos em tramitação. Por exemplo, o deputado Aliel Machado (PV-PR) defende a volta do “distritão“. Nesse formato simples, apenas os mais votados conquistam as cadeiras, sem cálculos de quociente eleitoral.
Por fim, Hugo Motta quer acelerar o calendário e aprovar o projeto este ano. Contudo, os analistas alertam que a proposta enfrentará resistência severa, pois ela divide o plenário e disputa espaço com a corrida pela Mesa Diretora.