EUA ampliam frente contra facções e acendem alerta no governo Lula Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (à esquerda), e presidente do Brasil, Lula da Silva (à direita) | Foto: Daniel Torok/Casa Branca e Ricardo Stuckert/PR

EUA ampliam frente contra facções e acendem alerta no governo Lula

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Acordo liderado por Washington prevê ações contra PCC e Comando Vermelho, mas inclui temas como minerais críticos, cooperação econômica e segurança regional, despertando preocupação em Brasília

O governo Luiz Inácio Lula da Silva vê com preocupação a atuação coordenada dos Estados Unidos e de outros 14 países americanos contra organizações criminosas como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV). Um auxiliar do presidente, ouvido pela BBC News Brasil sob reserva, comparou a estratégia americana a um “cavalo de Troia”, argumentando que o combate ao narcotráfico poderia abrir espaço para interesses mais amplos de Washington na região.

O alerta surgiu após a divulgação do comunicado do chamado Escudo das Américas, grupo liderado pelos Estados Unidos que anunciou medidas como congelamento de ativos, restrições migratórias e ações contra pessoas que financiem ou deem suporte logístico a facções. O documento também prevê consulta à Organização dos Estados Americanos (OEA) sobre uma possível reativação do Tratado Interamericano de Assistência Mútua (Tiar), mecanismo criado em 1948 durante a Guerra Fria.

Para Brasília, um dos pontos de maior atenção é que o comunicado não se limita ao combate ao crime organizado. O texto também menciona cooperação econômica, proteção de cadeias de suprimento e acesso a minerais críticos. A preocupação brasileira ocorre em meio à disputa entre Estados Unidos e China por recursos estratégicos, incluindo terras raras e lítio, essenciais para setores como tecnologia, energia e indústria militar.

O governo Lula também questiona a possibilidade de temas econômicos e de segurança serem tratados dentro de uma mesma estrutura. Segundo a avaliação relatada à BBC, ampliar o conceito de segurança nacional poderia criar precedentes para que interesses diversos dos Estados Unidos fossem enquadrados como questões de segurança regional. A preocupação ganhou força depois de Donald Trump afirmar na ONU que Washington poderia usar seu poderio militar para proteger interesses americanos no Hemisfério Ocidental.

O Brasil não integra o Escudo das Américas e diplomatas brasileiros afirmaram ter tomado conhecimento do comunicado apenas depois de sua divulgação. O governo ainda avalia como reagirá à possível consulta sobre o Tiar e deverá conversar com outros países da região. Ao mesmo tempo, a oposição brasileira, liderada por Flávio Bolsonaro, defende uma aproximação maior com o grupo e afirma que Lula adota uma postura permissiva em relação ao crime organizado, transformando o tema em uma das questões da campanha presidencial de 2026.

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