EUA, eleições no Brasil e a disputa por terras raras Foto: Governo de Rondônia

EUA, eleições no Brasil e a disputa por terras raras

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O cientista político Pedro Costa Júnior analisa a influência dos EUA e a relevância das riquezas minerais brasileiras no cenário global

Em entrevista ao Café do MyNews, o cientista político Pedro Costa Júnior analisou o cenário eleitoral e geopolítico atual a partir de alertas sobre o nível de interferência dos Estados Unidos nos processos políticos da América Latina. Segundo o especialista, o continente vive sob a égide do que classifica como “Doutrina Dur” — uma releitura da Doutrina Monroe sob a ótica do ex-presidente norte-americano Donald Trump —, cujo objetivo central é reestabelecer o domínio de Washington na região para conter o avanço da influência chinesa em seu entorno estratégico.

Diante dessa disputa entre superpotências, o Brasil ganha relevância estratégica, uma vez que detém a segunda maior reserva de terras raras e minerais críticos do planeta, atrás apenas da China. Costa Júnior ressaltou que esses minerais são indispensáveis para a tecnologia e para a indústria de defesa. Por essa razão, o resultado das urnas brasileiras assume um peso sem precedentes para os interesses geoestratégicos das grandes potências globais.

O papel dos algoritmos e o embate do Judiciário com as big techs

O especialista também chamou a atenção para o papel das big techs e da inteligência artificial no debate eleitoral. Ele apontou que os embates do Supremo Tribunal Federal brasileiro com as plataformas norte-americanas ocorrem justamente porque o Judiciário buscou impor limites e regulação à atuação dos algoritmos. Para o analista, o controle dessas tecnologias é um fator determinante para o resultado das disputas eleitorais na América do Sul.

Em contraponto às pressões internacionais, o especialista projetou o tom do discurso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU). O entrevistado enfatizou que a fala presidencial deve se focar na defesa intransigente da soberania nacional e no fortalecimento do multilateralismo, que vem sendo corroído pelo avanço de posturas unipolares. O presidente brasileiro é visto como uma das principais vozes do Sul Global na arena internacional ao rejeitar qualquer tipo de ingerência externa.

Defesa da soberania, organismos multilaterais e o futuro da democracia

Durante a conversa, o especialista criticou setores da oposição que acenam com um alinhamento automático a Washington. Ele mencionou inclusive planos de consulta a autoridades estrangeiras durante a montagem de equipes de governo. Para Costa Júnior, qualquer postura de submissão ou cessão de riquezas nacionais sem contrapartida configura uma afronta direta à autonomia do país e ameaça os interesses coletivos da população.

Por fim, o convidado destacou a importância da imprensa na apuração de ligações escusas entre grupos estrangeiros e campanhas locais. Ele concluiu que o Brasil se encontra na encruzilhada geopolítica mais importante deste século. Preservar as instituições democráticas e manter o controle sobre as riquezas naturais serão ações decisivas para garantir o futuro da nação.

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