Metalúrgicos defendem estatização da Avibras Foto: Avibras

Metalúrgicos defendem estatização da Avibras

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Líder sindical aponta risco à soberania nacional e cobra apoio do Governo Federal à indústria de defesa da região

Em meio às negociações para a compra da Avibras Aerospacial pelo grupo JBS, o Presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e Região, Weller Gonçalves, reiterou a defesa da estatização da empresa como medida urgente para garantir soberania nacional. Além disso, a iniciativa protege os empregos na maior indústria de defesa do Hemisfério Sul.

Durante entrevista no programa Café do MyNews, o dirigente sindical detalhou os desdobramentos da crise vivida pela fabricante de mísseis e sistemas de defesa da região, e fez duras críticas à falta de investimento e interesse do Governo Federal no setor estratégico.

Impasse financeiro e a oferta da JBS

A Avibras, que enfrenta um conturbado processo de recuperação judicial e acúmulo de salários atrasados com seus trabalhadores, recentemente esteve sob controle da Brasil Crédito. Contudo, a nova movimentação do mercado aponta para a entrada da JBS — controlada pelos irmãos Joesley e Wesley Batista — nas negociações de aquisição de controle acionário.

Gonçalves ressaltou que o sindicato mantém neutralidade sobre o perfil dos investidores privados, exigindo rigor no cumprimento dos direitos trabalhistas. “Nós do sindicato não escolhemos com quem negociamos. O que nós queremos é, em primeiro lugar, que cumpra o acordo de volta da empresa e pague os salários atrasados. Segundo, que cumpra a Convenção Coletiva de Trabalho da categoria”, declarou.

Apesar da disposição em negociar com os novos controladores para assegurar os direitos dos trabalhadores, o sindicato questiona o interesse puramente comercial de grupos privados sobre um acervo tecnológico de utilidade pública e estratégica.

Soberania e o cenário geopolítico mundial

Para a liderança sindical, a onda de interesse por parte de grupos nacionais e internacionais na Avibras reflete o aquecimento do mercado global de armas, impulsionado por conflitos no Oriente Médio, disputas tarifárias entre potências globais e tensões geopolíticas recentes.

Entretanto, Gonçalves pondera que o discurso de soberania precisa de ações práticas. Historicamente, as Forças Armadas brasileiras compram apenas 5% a 7% da produção da Avibras. Consequentemente, a empresa precisa exportar a maior parte dos seus produtos para a Ásia e o Oriente Médio.

Alerta sobre o polo aeroespacial do Vale do Paraíba

A preocupação do sindicato atinge todo o polo de tecnologia militar de São José dos Campos. Desse modo, o avanço do capital estrangeiro sobre as indústrias locais ameaça a retenção do conhecimento no país.

Como alternativa à venda pulverizada para o capital externo, o sindicato propõe a estatização da Avibras e a integração de um conglomerado estatal de defesa junto a universidades e institutos de pesquisa da região do Vale do Paraíba, garantindo, assim, o controle público sobre a tecnologia militar e os recursos estratégicos nacionais.

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