Foto: Cuidadores BH
Em entrevista, o médico Luiz Fernando Correia alerta que o isolamento prejudica a saúde e defende o fortalecimento de laços sociais
Em um mundo onde a rotina acelerada consome cada vez mais tempo, a busca por qualidade de vida costuma se concentrar em exercícios físicos e alimentação saudável. No entanto, especialistas alertam para um elemento frequentemente negligenciado, mas crucial para o bem-estar ao longo da vida: a manutenção do “capital social” e da rede de amizades. Mara Luquet, em entrevista com o médico Luiz Fernando Correia no MyNews Vida & Previdência, discutiu como a falta de vínculos afetivos e o isolamento impactam diretamente a saúde mental e emocional, tornando a solidão um fator de risco silencioso na vida adulta e no envelhecimento.
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Amizades Além da Família e o Desafio Intergeracional
Manter um círculo de amizades ativo funciona como uma rede de apoio essencial. Ter pessoas de confiança fora do núcleo familiar possibilita trocas de experiências e conversas sobre temas que, muitas vezes, não são abordados em casa.
Além disso, a diversidade nas amizades desempenha um papel chave na preservação da saúde cognitiva. Na conversa, Correia destacou a importância de cultivar laços com pessoas de diferentes gerações. Essa convivência estimula a flexibilidade mental e desafia padrões de pensamento, evitando que o indivíduo se torne rígido ou isolado em suas próprias certezas.
O isolamento social mostra-se especialmente crítico na terceira idade. Estudos indicam que a perda de referências e o desligamento do convívio comunitário aumentam significativamente os riscos de quadros depressivos. Um exemplo recorrente ocorre após a viuvez, quando a mudança repentina de rotina ou de ambiente social pode fragilizar a saúde emocional dos idosos.
Outro ponto de atenção é a dificuldade que muitas famílias encontram em equilibrar a proteção com o respeito à autonomia dos pais idosos. O envelhecimento ativo envolve a prática de novas atividades, esportes e a manutenção de hobbies. Limitar essa independência por receio ou superproteção pode gerar conflitos e prejuízos ao bem-estar emocional do idoso.
A ausência de conversas abertas sobre o futuro e o envelhecimento também pode criar vulnerabilidades, que vão desde desentendimentos familiares até situações severas de dependência ou abuso financeiro.
Para prevenir esses cenários, a conscientização sobre instrumentos jurídicos de proteção — como as diretrizes antecipadas de vontade e a curatela — torna-se essencial. Planejar o futuro e cultivar conexões sociais sólidas são passos indispensáveis para garantir autonomia, segurança e dignidade em todas as fases da vida.