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Diagnóstico territorial e diálogo intergeracional são fundamentais para assegurar a distribuição justa de recursos públicos frente ao envelhecimento populacional
O rápido envelhecimento populacional no Brasil exige a reformulação de políticas públicas e de investimentos sociais. Alexandre Kalache conversou com o fisioterapeuta Flávio Tavarez. O convidado é membro do Conselho Estadual da Pessoa Idosa de São Paulo. Na entrevista, Tavarez enfatizou a importância do diagnóstico socioterritorial para mapear demandas locais. Sem indicadores sobre renda e vulnerabilidade, a destinação de verbas estatais perde eficiência.
A má distribuição dos recursos financeiros direcionados à longevidade constitui um grave problema nacional. Um levantamento mostrou que 52% das verbas do fundo estadual paulista ficaram concentradas na capital e macrorregião. Por outro lado, municípios com menor IDH captaram menos de 3% dos investimentos. Essa discrepância expõe profundas assimetrias regionais na captação de recursos e na capacidade de gestão municipal.
Outro ponto crucial debatido entre os especialistas diz respeito às barreiras do idadismo nas instituições. Ao assumir o cargo no conselho aos 33 anos, Tavarez enfrentou questionamentos devido à sua idade. O conselheiro destacou que debater a longevidade exige a participação de todas as gerações. Afinal, as decisões adotadas hoje determinarão a qualidade de vida das próximas décadas.
O interesse do fisioterapeuta pela gerontologia nasceu da convivência afetuosa com sua avó. A partir dessa motivação, Tavarez migrou da assistência em saúde para a gestão de projetos sociais. A construção de uma sociedade inclusiva requer a superação de estigmas e a criação de cotas regionais em editais. Além disso, o fortalecimento de parcerias com o terceiro setor garante o cuidado com as múltiplas velhices.