Davi Alcolumbre durante entrevista na qual elogiou Jaques Wagner, ontem, após operação da PF contra o líder petista | Imagem: Evandro Éboli/MyNews
VAMOS BLINDAR
Escândalo envolvendo líder petista no Senado pode aproximar Alcolumbre do Planalto; presidente do Congresso fez árdua defesa de Wagner
Davi Alcolumbre fez uma enfática defesa de Jaques Wagner, ontem, por exatos 7 minutos e 24 segundos, após anunciar a suspensão da sessão do Congresso Nacional, que, se ocorresse, iria virar ringue PT x PL. Ou não. Por precaução, o presidente do Senado acho melhor cancelar.
Alcolumbre e Wagner estão unidos no enrosco do Banco Master. Reportagem da “Veja” contou que o político do Amapá teria recebido 30 milhões de dólares de Daniel Vorcaro. Hoje, R$ 154 milhões. Ele negou com afinco que jamais recebeu qualquer centavo do ex-banqueiro. O senador baiano defendeu o colega, apesar de terem se estranhado recentemente.
Esse ressentimento entre Alcolumbre e Wagner passou, apontam as aparências. O escândalo Master parece tê-los unido. O presidente do Congresso foi todo afago a Wagner. Falou em presunção da inocência, elogiou o histórico do petista, afirmou ter “convicção que a verdade de Jaques Wagner aparecerá” e encerrou com uma declaração de “apoio integral e minha solidariedade” ao líder do governo no Congresso.
O ingresso de Jaques Wagner no rolo Master pode gerar um efeito: aproximar Alcolumbre do Planalto. Em comum, aí envolve também a direita, ninguém quer saber de CPI para apurar as relações promíscuas e criminosas de Vorcaro com o mundo político, em especial. Mas, mais que isso, pode abrir a porta para, enfim, Lula fumar o cachimbo da paz com o senador do Amapá, e, quem sabe, tirar dele o compromisso de votar a PEC do fim da escala 6×1 antes das eleições.
Por último, não menos importante, Randolfe Rodrigues, agora no PT, líder do governo no Congresso e também do Amapá, anunciou no final do dia de ontem que irá tentar a reeleição para o Senado. O parlamentar passou o dia sem se manifestar sobre o colega e também líder Jaques Wagner. Randolfe chegou de manhã no Senado ao lado de Alcolumbre. Ficou ao lado do conterrâneo durante sua, de Alcolumbre, manifestação em defesa do político baiano. Se vale elucubrar: Randolfe encerrou o dia tendo fechado uma dobradinha com Alcolumbre para o Senado no Amapá.