PSD oficializa candidatura do ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado à Presidência e como vice, o Gilberto Kassab durante convenção (Foto: Iago Yoshimi Seo)
Convenção nacional em São Paulo consolida candidatura própria da legenda para 2026; discurso de Caiado endurece contra a polarização, enquanto PSD enfrenta dificuldades para unificar apoios estaduais
O PSD oficializou, neste domingo (26), a candidatura do ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado à Presidência da República durante convenção realizada na capital paulista. O presidente nacional da legenda, Gilberto Kassab, foi confirmado como candidato a vice-presidente, consolidando uma chapa formada exclusivamente por filiados do partido e, até o momento, sem coligações formalizadas.
A composição já estava definida antes da convenção. No dia 1º de julho, Caiado anunciou Kassab como companheiro de chapa e afirmou que o dirigente nacional do PSD teria participação ativa em um eventual governo. A escolha consolidou uma candidatura “puro-sangue”, em um momento em que outras siglas do campo de centro ainda mantêm indefinições sobre a disputa presidencial.
Durante entrevista coletiva, Caiado adotou um discurso mais incisivo em relação ao campo da direita liderado pelo senador e atual candidato Flávio Bolsonaro (PL). Questionado sobre um eventual segundo turno entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o parlamentar, o ex-governador respondeu que “quem rouba com a mão direita ou esquerda é ladrão”, sem mencionar nominalmente o nome do pré-candidato do PL.
Já no campo da esquerda, Caiado citou nominalmente o presidente Lula (PT), afirmando que a política nacional precisa de renovação.
A convenção também contou com a presença do ex-ministro Aldo Rebelo, que até recentemente era pré-candidato à Presidência pelo Democracia Cristã. Rebelo deixou a disputa após reveses internos no partido e posterior expulsão, em meio ao espaço aberto para a entrada do ex-ministro do Supremo Tribunal Federal Joaquim Barbosa. Até o momento, a legenda não se manifestou sobre a situação política de Rebelo no processo eleitoral.
Durante o evento, Aldo fez um breve pronunciamento e direcionou elogios a Caiado. Nos bastidores, interlocutores ligados ao ex-governador afirmaram que sua participação representa uma sinalização de apoio à candidatura do PSD.
Apesar de lançar uma chapa exclusivamente formada por integrantes da legenda, o PSD ainda enfrenta dificuldades para consolidar um alinhamento nacional em torno de Caiado.
Em São Paulo, o partido apoia a reeleição do governador Tarcísio de Freitas, aliado de Flávio Bolsonaro. Em Minas Gerais, o governador Mateus Simões (PSD) declarou apoio ao governador Romeu Zema (Novo), enquanto no Rio de Janeiro e na Bahia, lideranças estaduais da sigla manifestam apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Questionado sobre esse cenário, Kassab comentou de forma breve as articulações para ampliar o apoio interno à candidatura presidencial. Caiado, por sua vez, atribuiu ao presidente nacional do PSD o papel de principal articulador político da legenda.
Kassab também foi questionado sobre a posição de partidos do chamado Centrão, como a federação PP-União Brasil, que declarou neutralidade na disputa presidencial. Segundo o dirigente, esse contexto foi justamente um dos fatores que levaram o PSD a abrir espaço para a candidatura de Caiado.
Nos bastidores, nomes ligados ao candidato afirmaram que o plano de governo deve ser publicado oficialmente no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) nos próximos 10 dias, e que atualmente o texto precisa ser aprovado pelo candidato.